Rafe Spall | Chiclete na Poltrona
jun 19 2012

[Resenha] Prometheus

por Bruno Pedrassani

Esse pra mim era um dos filmes mais esperados do ano, talvez mais até que Os Vingadores(mas ainda fica atrás d’O Hobbit). E isso normalmente é uma coisa ruim, uma vez que quanto mais você espera de algo, mais pode se frustrar. Além disso, teve todo o rebuliço de gentes nos intertubos falando mal dos “plotholes”(algo como furos de roteiro) do filme, o que já deixa a gente meio “cabreiro” com a película. Bem, adianto que não, não me frustrei.

Antes de mais nada, só a título de informação, Prometheus, na mitologia grega, foi o titã que criou o homem a partir do barro, e que, depois de roubar o fogo para dar para à humanidade(fazendo assim com que a mesma se desenvolvesse), foi condenado por Zeus a ficar preso em uma rocha e ter seu abdome aberto, sendo que uma águia iria todos os dias comer o fígado de Prometheus(o fígado se regenerava inteiramente todos os dias). Quem conhece como os Aliens nascem já percebe o que essa simbologia de Prometheus significa.

Prometheus e cumpriu!

A história de Prometheus já rolou bastante por aí, então vai uma introdução básica(só a cabecinha): em 2089 os arqueologistas Elizabeth Shaw(Noomi Rapace) e Charlie Holloway(Wolverine Logan Marshall-Green) descobrem uma espécie de mapa estelar presente em várias culturas anciãs(maias, egípcios, etc), que não tinham como ter tido contato umas com as outras. Eles assumem que esse mapa é um convite deixado por algum tipo de ser superior, possivelmente nossos criadores, para visitá-los.

Os dois conseguem que uma empresa privada, Weyland Corporation, financie a viagem até a lua LV-223, que fica no sistema de mapa que eles encontraram.

Aqui já vale um adendo: eles(tanto os arqueólogos como toda tripulação da Prometheus) fazem a viagem em estase, com o android David(Michael Fassbender) monitorando-os. As cenas iniciais mostrando David lembraram demais o excelente 2001: Uma Odisséia no Espaço(sem falar que David é quase um Dave ;) ).

Desde o início o desenvolvimento do filme é bastante lento. Gosto de chamá-lo como um filme dos anos 80 com tecnologia de 2012, porque tudo lembra filmes de 80, desde a velocidade de desenvolvimento até o tipo de susto e suspense gerado. Mas nem por isso o filme é entediante, ele só é diferente.

Conforme a trama avança, conhecemos o resto da tripulação – incluindo Meredith Vickers(Charlize Theron), a responsável por monitorar a expedição – e mais ou menos pra que cada um veio(nem que seja só pra morrer).

Eu confesso, já me inclinei a gostar do filme pela sua premissa: buscar nos confins do universo pelos nossos criadores, incitando uma discussão de religião versus ciência, é animador. Não fosse só isso, Prometheus tem toda uma simbologia e discussão sobre a própria origem da vida e sobre o sacrifício de um para o bem de todos.

Aliás, vou dar uma dica pra quem ainda não assistiu o filme: tenha em mente essa ideia do sacrifício de um para o bem de todos desde a primeira cena do filme. Sem brincadeira, desde a primeiríssima cena. É crucial que você perceba que o filme fala basicamente disso.

Sim, o filme trata muito mais de questões filosóficas e científicas do que a própria origem do Alien como o conhecemos. O terror ainda está lá, mas as questões interessantes também.

Outra coisa: tenha em mente que tudo acontece NO FUTURO. Antes de dizer ou achar que a história está furada, faça um exercício de imaginação pra explicar porque cada coisa acontece. Obviamente que o filme deixa mais perguntas do que respostas, mas o fato de você não ter ideia do por quê tal cara está lá, ou por que ele iria pra lá, ou por que só existe uma máquina calibrada pra homens, ou por que David fez isso ou aquilo, lembre que de 2012 até 2093(que é quando se passa o filme de fato), há 91 anos de evolução de uma raça inteira, tanto em motivações quanto em tecnologia. Se você considerar furo na história o que não foi contado, então porra, não assista ficção científica. Você sabe como Prometheus foi feita? Sabe como funciona o sistema de estase? Sabe como David foi criado? Não, então reclame das novas perguntas feitas no decorrer da película.

Eu digo isso porque vi muito vídeo e textos de gente reclamando de tanto “plothole” em Prometheus que simplesmente não é buraco na trama, mas sim, algo inexplicado. Mas confesso que nem tudo pode ser explicado tendo o futuro em mente. Alguns fatos que ocorrem na lua realmente não fazem sentido.

Com relação ao 3D, sei que nosso amigo Marcos Costa não gostou, dizendo que simplesmente não tinha 3D. Eu devo dizer que não sei se é o cinema ou o quê, mas aqui em Curitiba no Cinema UCI, deu pra ver que o 3D existe muito bem utilizado desde a primeira cena. MAS não é aquele 3D “jogue tudo na minha cara” não. Ridley Scott gosta de contar uma história, e o 3D não está lá pra roubar a cena, simplesmente fazer parte dela. Arrisco dizer que em mais de 95% das cenas você tem um 3D de qualidade, com profundidade em todas as cenas, sem embaçar a visão ou atrapalhar a visualização da cena. Eu particularmente gostei bastante do 3D, mas aí é questão de gosto. Como Marcos Costa não gostou e eu gostei do 3D, não podemos indicar ou contra-indicar o mesmo.

O fato é que Prometheus não só é belo, mas traz tantas indagações e deixa tantas perguntas, que faz com que você fique lembrando não só de muitas cenas, como também discuta com seus amigos. Isso é um ponto extremamente positivo do filme. Indague, pense, reflita. Eu mesmo, depois de ver o filme, li e vi vários vídeos explicando vários pontos, ou expondo várias falhas do mesmo. E confesso que a minha nota aumentou depois de ver várias coisas que não tinha percebido ao ver o filme.

Informações Técnicas:

Título Original: Prometheus

Título no Brasil: Prometheus

Direção: Ridley Scott

Gênero: Ficção Científica(com uma pitada de terror)

Duração: 124 minutos

Ano de Lançamento: 2012

Origem: EUA

Custo: $120 a $130 milhões

Grude: ★★★★½

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