Let the right one in | Chiclete na Poltrona
nov 29 2010

[Resenha] Deixa Ela Entrar – Let The Right One In

por Bruno Pedrassani

Vou confessar, falar desse filme já é difícil per se. Se torna ainda mais difícil porque o inexorável Inagaki já escreveu sobre o mesmo.{{ aqui }}

Baseado na obra sueca homônima de John Ajvide Lindqvist, Deixa Ela Entrar (usarei aqui as definições do Inagaki) é um filme sutil e delicado, e digo aqui que é um dos melhores filmes que vi nos últimos anos.

Passado em Estocolmo do início dos anos 80, o filme é sobre amor e descobertas. Numa primeira olhada pode parecer adolescente devido aos protagonistas, mas depois que as idéias se assentam, é muito mais que isso.

Oskar é um menino de 12 anos que sofre o famigerado, e atualmente na moda, bullying. Ele nunca revida, mas seus pensamentos de vingança ficam claros desde as primeiras cenas do filme. Apanha, é chamado de porco, sofre sozinho. E mais, parece não ter amigos, como os casos mais clássicos.

Só que tudo isso muda com a chegada de uma garota e seu “pai” à sua vizinhança. Coloquei as aspas no pai ali, porque ele está mais para um guardião ou algo do gênero, e você acaba vendo que ele faz muito mais pela garota do que aparenta. Ele mata, e é por ela. Ela é uma vampira.

Muita gente pode sair correndo ao saber disso(e não, não é spoiler), mas peço que deixem os preconceitos de lado. A sutileza com que o autor e o diretor passam isso é desconcertante.

O surgimento da amizade entre Oskar e Eli(a menina) é algo magistralmente trabalhado no filme: logo de cara Eli diz que eles nunca poderão ser amigos. E é justamente por isso que a amizade se desenrola, exatamente como os grandes amores.

O antagonismo das situações de cada um: se por um lado Oskar, filho de pais separados, sofre com a sua situação e pensa em sua vingança mortal contra seus abusadores, Eli sofre com sua situação de ter que matar pra viver.

E o que me deixou mais pensativo foi o destino do guardião-pai da menina. Não se sabe há quanto tempo eles estavam juntos, muito menos quanto tempo faz que ela tem 12 anos. Mas ao ver a cena final, o questionamento fica: será que o ciclo está se repetindo?

Foi difícil fazer esse questionamento do parágrafo anterior sem dar spoiler, mas acho que consegui. A profundidade do filme é realmente desconcertante, e aguardo ansioso pelo remake americano(que na verdade saiu dia 1 de outubro desse ano, nos EUA, com o nome de Let Me In).

Outra coisa que me fez pensar foi o título do filme: enquanto na tradução para o português fica claro o ela, em inglês não. Let The Right One In seria mais algo como “Deixe a pessoa certa entrar”, sendo que não se sabe o sexo de “pessoa”. Com isso, pode-se pensar que a pessoa a entrar é Eli na vida de Oskar, ou seria Oskar na de Eli? Ou ambos? Não sei se em sueco o título tem o mesmo teor que em inglês, mas este ficou realmente muito bem colocado para a obra. Inclusive no remake esse teor foi mantido: Let Me In é algo como Deixa-me Entrar, o que mantém a ambiguidade que acabei de citar.

Último comentário: ambos os atores mirins, Kåre Hedebrant(Oskar) e Lina Leandersson(Eli) são excelentes, mas Lina me deixou exaltado. Espero que os atores da versão americana estejam a altura(e acho que pelo menos a atriz estará, pois quem será a vampira é a Hit-Girl, Chloë Moretz).

Informações Técnicas:

Título Original: Låt den rätte komma in / Let the right one in

Título no Brasil: Deixa Ela Entrar

Direção: Thomas Alfredson

Gênero: difícil definir: se por um lado vocês verão na seção de Terror das locadoras, não se trata de um terror. É quase um Drama.

Duração: 115 minutos

Ano de Lançamento: 2008

Origem: Suécia

Grude: ★★★★½

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