Engraçado como um pouco de conhecimento histórico aliado a uma expressão nativa de uma língua podem trazer significados até mesmo pra nomes de filmes. Se por um lado, na tradução brazuca, Tudo Pelo Poder já indica que o filme trará ações extraordinárias e/ou reprováveis pra conseguir o “poder”, The Ides Of March é mais sutil, mas mais claro de certa forma.
Ides Of March é uma expressão, originada do latim, que indica “o meio de março”, ou, historicamente, 15 de março. Se outrora era uma data de comemoração do deus Marte, em história um pouco mais recente indica a data em que Júlio César foi traído e morto por Brutus e Cassius. Em um filme político, o nome historicamente sutil se mostra uma excelente escolha para mostrar o que está por vir.
Ryan Gosling é Stephen Meyers, gerente de campanha do democrata Mike Morris(George Clooney) que está disputando a prévia para ser o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos. Meyers é um idealista, que inicialmente faz sua campanha baseado no que acredita mesmo, e não por dinheiro ou poder. Ele tem como seu superior e mentor, Paul Zara(Philip Seymour Hoffman), que também tem fortes ideais de lealdade.
No debate Morris se dá bem, e parece que está caminhando pra uma vitória, mas o mundo da política não é tão simples assim, e nem todas as cartas estão na mesa ainda. Depois do debate, Tom Duffy(Paul Giamatti) – gerente de campanha do adversário de Morris – tem um encontro secreto com Meyers e acaba revelando algumas informações sobre o que irá acontecer na campanha de ambos os democratas.
No desenrolar da história, ainda temos um caso de Meyers com a estagiária Molly Stearns(Evan Rachel Wood) e a repórter não muito ética, Ida Horowicz(Marisa Tomei) pra dar mais tom à história.
Como é de se observar, o elenco está excelente, e as atuações de fato foram muito boas. Gosling está se mostrando um ator versátil e com presença, mas se o elenco é bom, a história nem tanto. O filme em si não é ruim, mas o desenrolar meio lento aliado a uma história que já vimos outras vezes por aí não deixam este ser um grande filme. Confesso que eu tinha expectativas maiores para este indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, mas se for pra jogar minhas fichas, não será nele.
Foi ao ar durante a noite de ontem, se extendendo para a madrugada de hoje, o Globo de Ouro 2012, premiação que gratifica atores e filmes, servindo como uma base para o Oscar 2012. A premiação gratifica também as melhores séries do ano, bem como os seus atores, mas por aqui só destacaremos a parte cinematográfica da coisa.
Melhor filme dramático
Os Descendentes
Histórias Cruzadas
A Invenção de Hugo Cabret
Tudo pelo Poder
O Homem Que Mudou o Jogo (Moneyball)
Cavalo de Guerra
Melhor ator em filme dramático
George Clooney – Os Descendentes
Leonardo DiCaprio – J. Edgar
Michael Fassbender – Shame
Ryan Gosling – Tudo pelo Poder
Brad Pitt – O Homem Que Mudou o Jogo
Melhor filme de humor ou musical
The Artist
Missão Madrinha de Casamento
My Week With Marilyn
Meia-Noite em Paris
50%
Melhor atriz em filme dramático
Meryl Streep – A Dama de Ferro
Glenn Close – Albert Nobbs
Viola Davis – Histórias Cruzadas
Rooney Mara – Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres
Tilda Swinton – Precisamos Falar Sobre o Kevin
Melhor ator em filme de humor ou musical
Jean Dujardin - The Artist
Brendan Gleeson – O Guarda
Joseph Gordon-Levitt - 50%
Ryan Gosling – Amor a Toda Prova
Owen Wilson - Meia-Noite em Paris
Melhor diretor
Martin Scorsese - A Invenção de Hugo Cabret
Woody Allen - Meia-Noite em Paris
George Clooney - Tudo pelo Poder
Alexander Payne - Os Descendentes
Michel Hazanavicius - The Artist
Melhor atriz coadjuvante
Octavia Spencer - Histórias Cruzadas
Bérénice Bejo - The Artist
Jessica Chastain - Histórias Cruzadas
Janet McTeer - Albert Nobbs
Shailene Woodley - Os Descendentes
Melhor filme em lingua estrangeira
A Separação (Irã)
A Pele que Habito (Espanha)
O Garoto da Bicicleta(Bélgica)
In the Land of Blood and Honey (EUA)
The Flowers of War(China)
Melhor roteiro
Woody Allen - Meia-Noite em Paris
George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon - Tudo pelo Poder
Michel Hazavanicious - The Artist
Jim Rash, Nat Faxon, Alexander Payne - Os Descendentes
Aaron Sorkin, Steve Zaillian - O Homem Que Mudou o Jogo
Melhor longa animado
As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne
Operação Presente
Carros 2
Gato de Botas
Rango
Melhor atriz em filme de humor ou musical
Michelle Williams - My Week With Marilyn
Jodie Foster – Carnage
Charlize Theron – Jovens Adultos
Kristen Wiig - Missão Madrinha de Casamento
Kate Winslet – Carnage
Melhor canção original
“Masterpiece” – W.E.
“Hello Hello” – Gnomeu & Julieta
“Lay Your Head Down” – Albert Nobbs
“The Living Proof” – Histórias Cruzadas
“The Keeper” – Redenção
Melhor trilha sonora original
Ludovic Bource - The Artist
Abel Korzeniowski – W.E.
Trent Reznor e Atticus Ross - Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres
Howard Shore - A Invenção de Hugo Cabret
John Williams - Cavalo de Guerra
Melhor ator coadjuvante
Christopher Plummer – Toda Forma de Amor
Kenneth Branagh – My Week With Marilyn
Albert Brooks – Drive
Jonah Hill - O Homem Que Mudou o Jogo
Viggo Mortensen – Um Método Perigoso
Destaque para The Artist um filme mudo e em preto e branco, onde muitos não acreditavam que a academia teria coragem de premiá-los. A premiação ficou bem destribuida entre os principais filmes, sendo assim dificil que no Oscar haja um único ganhador na maioria dos quesitos.
A adaptação para o cinema da peça Farragut North ganhou o seu primeiro trailer. O filme, dirigido por George Clooney, revela Ryan Gosling, um jovem diretor de comunicação metido nas trapaças do jogo da política para conseguir a indicação do seu candidato, o então governador Mike Morris (Clooney). Para aqueles que gostam de conspirações e política será um prato cheio, para aqueles que gostam de um filme com uma boa trama, será tão bom quanto.
Saiu também um poster, um dos mais legais que vi nos últimos tempos.
Um filme diferente do que costuma-se ver por aí. Muitos elogios da crítica, muitas indicações e nem tantos prêmios assim. Up In The Air foge dos padrões e trata de assuntos comuns de uma forma diferente.
Lançado em 2009, dirigido por Jason Reitman (Obrigado Por Fumar e Juno), roteiro do próprio Reitman junto a Sheldon Turner, baseado em um romance de mesmo nome do autor Walter Kirn. É um drama-comédia (?) que conta a história de Ryan Bingham, interpretado por George Fucking Clooney. Um homem solitário, que passa boa parte do seu tempo no ar (mais de 300 dias no ano), viajando a trabalho demitindo pessoas. Para ele os aeroportos, aviões, o ar, são sua casa. Seu objetivo de vida é viajar dez milhões de milhas aéreas, feito que somente seis pessoas realizaram anteriormente.
A fuga de Ryan do convívio com outras pessoas nos mostra sua filosofia de vida. Ele tem medo de relacionamentos, assim como os clientes da empresa para qual trabalha temem o encontro cara a cara na demissão de seus funcionários. Até a família está fora de sua vida. Um medo presente em todos nós. Medo de gostar, amar e, em seguida, se deparar com uma decepção.
Sua vida começa a mudar quando Natalie Keener (Anna Kendrick, Crepúsculo), uma nova funcionária, quer implementar demissões via teleconferências para reduzir os custos. Aqui pode-se ver uma certa crítica à grande febre por tecnologia presente no mundo moderno, onde a maioria tem necessidade de manter-se conectado 24 horas por dia. Ryan então mostra que o sistema é falho e que ela ainda tem muito a aprender em uma das cenas mais interessantes do filme, onde ele pede para Natalie demití-lo. Ao mesmo tempo, Ryan começa a se relacionar com Alex (Vera Farmiga, O Menino do Pijama Listrado e A Órfã), uma mulher com um modo de vida parecido, sempre ocupada e viajando.
O envolvimento e convívio de Ryan com Natalie e Alex faz com que ele passe a ver a vida de forma diferente. Ele percebe que nada substitui o contato, a presença de outra pessoa. E é esse o real objetivo do filme. Mostrar que, apesar das decepções, há também coisas boas nos relacionamentos, seja com a família ou com o sexo oposto. Mostra que há sempre como seguir em frente, que devemos transformar os maus momentos em lições de vida.
Infelizmente foi mal vendido. Uma comédia-romântica que conta “a história de um homem pronto pra fazer uma conexão” não é bem o que o filme passa, já que Ryan não estava pronto nem queria que tal fato acontecesse. Isso acontece pois o público atual não quer entender, não quer captar a mensagem, não quer pensar, quer apenas… assistir. E acabam achando o filme ruim ou difícil de entender. É por este motivo também, que ele chegou ao Brasil com o título de “Amor Sem Escalas” que, convenhamos, não tem nada a ver.
Up In The Air, na minha humilde opinião, é um ótimo filme. Desenrola-se bem, não chega a ser parado. As cenas aéreas das cidades são sensacionais, dando um certo carisma. Há muito tempo eu não gostava tanto de um filme que não fosse mentiroso e cheio de efeito especiais.