Arquivo Thriller | Chiclete na Poltrona
fev 6 2012

[Resenha] População 436 – Population 436

por Bruno Pedrassani

População 436 é o tipo de filme que chama a atenção só de ler a sinopse e que, se tivesse um orçamento decente e atores bons, poderia até virar um bom thriller – não que ele seja de todo ruim.

Vejamos:

  • História cativante 
  • Mistérios envolvendo uma pequena cidade no meio do nada com ar do século retrasado 
  • Olhares malignos entre os moradores 
  • Situações estranhas 
  • Um bom começo mostrando a dualidade do nascimento e da morte 
  • Você não sabe o que está acontecendo, mas sabe que tem algo bem errado 
  • Mocinha bonitinha meio-rebelde 

Só pra situar, a história é sobre Steve Kady(Jeremy Sisto – quem?), um agente do censo que é enviado a Rockwell Falls, uma cidadezinha no meio do nada, para investigar o por quê dela ter, desde mil oitocentos e lá vai pedrada, 436 pessoas de população.

Antes de chegar, ele pergunta da cidade em um posto de gasolina, mas ninguém quis sequer falar com ele. Ele acha a cidade sozinho, mas na chegada fura 2 pneus do seu carro e conhece Courtney Lovett(Charlotte Sullivan). É levado ao prefeito, conhece todos, parecem amistosos, diz que vai passar somente alguns dias ali e tudo bem(por enquanto). Obviamente, como é de se esperar, conforme ele avança na sua pesquisa, mais coisas estranhas acontecem, e talvez o povo pacato daquela cidade não seja bem o que aparenta.

Cidadezinha-padrão-com-Igreja-no-centro. Até parece o Brasil

O filme não é ruim, mas dá pra ver que o potencial foi desperdiçado. Falta muito(mas MUITO MESMO) carisma pro ator principal, Jeremy Sisto(que me lembrou demais o fofômeno), e a maioria das atuações foi no máximo mediana. A única atuação que havia sido realmente boa pra mim, a do policial Bobby Caine, explodiu minha cabeça. Explico: enquanto eu assistia o filme, eu e minha namorada ficávamos falando que o ator vivendo Bobby parecia demais alguém que a gente conhecia, e que lembrava o sensacional Jason Statham. Ele realmente lembra o Statham, mas não conseguimos lembrar de quem mais ele era parecido. Pois eu vou dizer agora o nome do ator: Fred Durst. O quê, nunca ouviu falar dele? OK, vou falar outro nome pra você agora: Limp Bizkit. Isso aí, é o vocalista da ex-banda-rebelde. Incrivelmente, o cara foi o melhor ator do filme. Acho até que, se ele tivesse ficado com o papel principal, o filme teria sido visto com outros olhos.

Pra um filme que fui assistir sem nenhuma expectativa, até que foi bom. Uma pena ver uma boa história desperdiçada(o final foi bem aceitável, e a cena na praça foi muito boa) com falta de carisma e pouco orçamento. Fica a vontade de ver uma versão com maior investimento aqui.

Informações Técnicas:

Título Original: Population 436

Título no Brasil: População 436

Direção: Michelle MacLaren

Gênero: Suspense / Thriller / com elementos de Terror

Duração: 92 minutos

Ano de Lançamento: 2006

Origem: Canadá / EUA

Custo: Não Divulgado, but common, você vê que não foi muita coisa

Grude: ★★★☆☆ <- Eu ia dar 2.5, mas como o filme foi barato mas mesmo assim te dá imersão e tem história, 3 chicletes grudentos

Post to Twitter


jan 31 2012

[Resenha] Tudo Pelo Poder – The Ides Of March

por Bruno Pedrassani

Engraçado como um pouco de conhecimento histórico aliado a uma expressão nativa de uma língua podem trazer significados até mesmo pra nomes de filmes. Se por um lado, na tradução brazuca, Tudo Pelo Poder já indica que o filme trará ações extraordinárias e/ou reprováveis pra conseguir o “poder”, The Ides Of March é mais sutil, mas mais claro de certa forma.

Ides Of March é uma expressão, originada do latim, que indica “o meio de março”, ou, historicamente, 15 de março. Se outrora era uma data de comemoração do deus Marte, em história um pouco mais recente indica a data em que Júlio César foi traído e morto por Brutus e Cassius. Em um filme político, o nome historicamente sutil se mostra uma excelente escolha para mostrar o que está por vir.

De Aids Of Martch

Ryan Gosling é Stephen Meyers, gerente de campanha do democrata Mike Morris(George Clooney) que está disputando a prévia para ser o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos. Meyers é um idealista, que inicialmente faz sua campanha baseado no que acredita mesmo, e não por dinheiro ou poder. Ele tem como seu superior e mentor, Paul Zara(Philip Seymour Hoffman), que também tem fortes ideais de lealdade.

No debate Morris se dá bem, e parece que está caminhando pra uma vitória, mas o mundo da política não é tão simples assim, e nem todas as cartas estão na mesa ainda. Depois do debate, Tom Duffy(Paul Giamatti) – gerente de campanha do adversário de Morris – tem um encontro secreto com Meyers e acaba revelando algumas informações sobre o que irá acontecer na campanha de ambos os democratas.

No desenrolar da história, ainda temos um caso de Meyers com a estagiária Molly Stearns(Evan Rachel Wood) e a repórter não muito ética, Ida Horowicz(Marisa Tomei) pra dar mais tom à história.

Como é de se observar, o elenco está excelente, e as atuações de fato foram muito boas. Gosling está se mostrando um ator versátil e com presença, mas se o elenco é bom, a história nem tanto. O filme em si não é ruim, mas o desenrolar meio lento aliado a uma história que já vimos outras vezes por aí não deixam este ser um grande filme. Confesso que eu tinha expectativas maiores para este indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, mas se for pra jogar minhas fichas, não será nele.

Informações Técnicas:

Título Original: The Ides Of March

Título no Brasil: Tudo Pelo Poder

Direção: George Clooney

Gênero: Thriller Político

Duração: 101 minutos

Ano de Lançamento: 2011

Origem: EUA

Custo: $12.500.000

Grude: ★★★☆☆

Post to Twitter


jan 25 2012

[Rebobinando] A Balada Do Pistoleiro – Desperado

por Bruno Pedrassani

“Soy un hombre muy honrado que me gusta lo mejor
Las mujeres no me faltan, ni el dinero, ni el amor
Jineteando en mi caballo por la sierra yo me voy
Las estrellas y la luna, ellas me dicen dónde voy”

Como segundo filme da Trilogia México/Mariachi, a primeira coisa que devo dizer é: nunca na história desse país, a tradução do título ficou melhor que o título original. OK, OK, nunca é forte, mas dessa vez A Balada do Pistoleiro ficou totalmente excelente.

Desperado

“Ele está de volta para acertar contas com quem quer que seja” – HAHAHAHA

O segundo filme começa com um zé qualquer – que é amigo do Mariachi e vivido por Steve Buscemi – contando uma história em um bar, sobre um mexicano imenso que entrou em outro bar, falou algo pro barman, este não gostou e de repente todos no bar queriam a cabeça do mexicano imenso. Com sua maleta de violão cheia de armas, o mexicano matou todo mundo no bar, mas antes arrancou informações de um moribundo sobre onde estaria Bucho. Voltando ao bar do zé qualquer, todos ficam alarmados ao saber da busca por Bucho.

Já na primeira cena com Banderas, Rodríguez mostra a cena final do primeiro filme, exatamente igual, mas só que com Banderas no lugar de Gallardo. Gostei disso, pois serviu não só pra dar noção de várias coisas(sem spoilers) pra quem foi direto ao segundo filme, mas também pra mostrar que o personagem é o mesmo pra quem já tinha visto o primeiro.

Em sua busca por Bucho(Joaquim de Almeida), El Mariachi(Antonio Banderas) vai matando todos os capangas do bandido, mas também sofre perdas e é ferido. E é numa dessas que ele encontra Carolina(Salma Hayek, que aliás, está em sua melhor forma. Física mesmo.), a dona de uma livraria que acaba o ajudando, e claro, se apaixonando por ele.

Nesse filme de Rodríguez, não fica a dúvida: é o melhor estilo Rodríguez-Tarantino-escrachado-tiroteio-muito-sangue. Há cenas sensacionalmente impossíveis, que são… sensacionais mesmo. Aliás, o mais engraçado é ver o próprio Tarantino fazendo uma ponta no filme e morrendo de forma brutal, como sempre. E tem ainda, claro e como sempre, Danny “Machete” Trejo, incrivelmente magro e não tão feio.

Aliás, esse filme ajudou não só o Banderas a alavancar sua carreira internacional, como lançou Salma Hayek para as audiências norte-americanas. E mais curiosidades: era pra ter sido o lendário Raul Júlia a viver Bucho no filme, mas ele morreu antes de poder gravar. E ainda: Carlos Gallardo, o ator que viveu o Mariachi no primeiro filme, aparece nesse segundo como outro Mariachi, amigo do Banderas.

Com sua ação frenética meio pastelão(e agora com dinheiro), muito sangue e plot twist bastante bom, A Balada Do Pistoleiro é um filme essencial pra quem gosta do gênero.

Informações Técnicas:

Título Original: Desperado

Título no Brasil: A Balada Do Pistoleiro

Direção: Robert Rodríguez

Gênero: Ação / Thriller

Duração: 106 minutos

Ano de Lançamento: 1995

Origem: EUA

Custo: $7.000.000

Grude: ★★★★½

Post to Twitter


dez 20 2011

[Resenha] A Lista – Você Está Livre Hoje? – Deception

por Bruno Pedrassani

Minha fé nas traduções de nomes de filmes(e seriados) – que já era pouca ou nenhuma – acabou com… A Lista – Você Está Livre Hoje?

Vamos lá, o nome original é Deception, que no inglês arcaico significa engano, fraude. Forçando um pouco(deception tem um pouco de falso cognato – e esse sou eu usando palavras difíceis, vejam só), pode até ser traduzido como decepção. Então que eu aceitaria de bom grado um nome como: O Engano, A Fraude ou algum derivado. Até se fosse só A Lista era razoavelmente aceitável, mas esse “Você Está Livre Hoje?” é de trincar as batatas(da perna). Nossos amigos lusitanos pelo jeito não gostaram do nome original e mandaram um No Limite da Ilusão. Meh.

Decepção é o nome do filme

A premissa do filme é muito boa: um cara com pouca ou nenhuma vida social(Ewan McGregor) trabalha como auditor pra uma firma de advocacia, e certo dia, quando estava trabalhando até depois do horário “normal”, ele conhece um advogado extremamente carismático chamado Wyatt Bose(Hugh Jackman).

Depois desse dia, Jonathan McQuarry(o McGregor) e Bose começam a sair, conversar, enfim, se tornam amigos, até que Bose precisa ir a Londres a negócios. Em uma última conversa antes da viagem, os dois acabam trocando de celulares, e aqui é que a premissa se mostra interessante(e justifica o nome brazuca do filme).

Com a troca de celulares, McQuarry começa a receber várias ligações de números estranhos no celular de Bose, que perguntam se “ele estava livre hoje a noite”. Numa dessas ligações ele diz que sim, marca um encontro, e entende do que se trata: sexo fácil com mulheres bem sucedidas. É aí que McQuarry começa a ter uma vida “social”: todos os dias ele faz sexo com desconhecidas, seja recebendo ligações ou ligando pra algum dos números do celular de Bose, ou seja, A Lista.

Mas como esse é um filme de suspense/thriller, é óbvio que algo tem que acontecer. Em um momento totalmente sem noção do filme, McQuarry vê uma loira no metrô e se apaixona pela desconhecida. OK, entendo, paixão fulminante à primeira vista. Obviamente que pra ficar ainda melhor, a loira também está na lista, e eles se encontram.

A partir daí, uma série de acontecimentos fará com que Bose se mostre não tão legal quanto no início(alguém tinha dúvidas?), e McQuarry se vê numa jornada de redenção e super-heroísmo pra salvar sua amada.

Apesar da premissa boa, o roteiro é bastante previsível, e pra piorar, a motivação do personagem principal é fraquíssima, pra não dizer ridícula. É muito fácil de você apontar em vários momentos do filme, situações em que ele poderia ter saído de tudo sem nenhum problema, e o modelo “homem-bonzinho-faz-tudo-por-amor-muito-esperto-pro-meu-gosto” não convence, afinal, todo mundo sabe que homem bonzinho nunca se dá bem.

O elenco tem bastante gente conhecida, e pra ser justo, Jackman manda muito bem, e McGregor também. Achei a Michelle Williams bastante apagada, mas bem, o roteiro não ajudou muito.

Deception é um thrillerzinho padrão, com uma história que começa bem e acaba do jeito que todo mundo já sabia.

Informações Técnicas:

Título Original: Deception

Título no Brasil: A Lista – Você Está Livre Hoje?

Direção: Marcel Langenegger

Gênero: Suspense / Thriller

Duração: 108 minutos

Ano de Lançamento: 2008

Origem: EUA

Custo: $25 milhões

Grude: ★★★☆☆

Post to Twitter


nov 21 2011

[Resenha] Contágio

por Bruno Pedrassani

Já mando de largada: venderam-me o filme errado.

Quando vi trailers e pessoas comentando o filme, pensei que se tratava de um filme apocalíptico no estilo o-mundo-está-acabando-todos-vão-morrer-soccorro-ai-meu-juvenal-antena-sai-de-mim-que-é-praga-capeta!

Só que não é isso. Não sei se eu me enganei-me a mim mesmo com o trailer, ou se realmente me venderam o filme errado – você pode ver os cartazes de divulgação com frases de efeito e bordas esbranquiçadas – mas Contágio não é tão apocalíptico assim, apesar de tratar de uma doença extremamente fatal(e pelos reviews internacionais que vi, não venderam assim só por aqui não).

Contágio - Não Fale Com Ninguém - Não Encoste Em Ninguém

 

Não Fale Com Ninguém

Não Toque Em Ninguém

Você começa acompanhando Beth Emhoff(Gwyneth Paltrow) voltando de Hong Kong pros Estados Unidos, depois de uma viagem a negócios. Ao chegar nos EUA, ela está indisposta, com febre e parece ter uma gripe ou infecção qualquer. Seu marido, Mitch Emhoff(Matt Damon) também acha que é uma gripe ou afim, até que Beth tem uma convulsão, é levada ao hospital e morre logo depois. Aqui temos uma das melhores cenas, que é a conversa do médico de Beth e Mitch.

Pouco depois da morte de Beth, o filho dela morre(Beth e Mitch são casados mas com filhos de outros relacionamentos). De alguma maneira Mitch parece imune à infecção…

E aí vamos pra outro local. E depois outro. Uma característica que gostei no filme é que não há um protagonista, a humanidade é protagonista contra um vírus altamente mutante e infeccioso.

Temos Dr. Ellis Cheever(Laurence Fishburne com um bigode de respeito) trabalhando no CDC(Centro de Controle e Prevenção de Doeças), tentando descobrir padrões com sua agente de campo, Dra. Erin Mears(Kate Winslet), em que cogitam a possibilidade de a infecção ser uma bioarma.

Temos professor Ian Sussman(Elliot Gould) violando ordens do CDC através de Dra. Ally Hextall(Jennifer Ehle), de destruir as amostras que tinha do vírus porque eles nem sequer conseguiam fazer uma cultura do vírus pra tentar criar uma vacina.

Paralelamente ainda temos Dra. Leonora Orantes(a bela Marion Cotillard) sendo enviada para Hong Kong para tentar descobrir de onde veio o vírus, e, pra finalizar, temos um blogueiro sensacionalista e teórico da conspiração, Alan Krumwiede(Jude Law) que diz que o governo esconde tudo, que já tem a cura, que é tudo culpa dos laboratórios de farmácia, aquela balela de sempre, mas muito bem construído.

Personagens até que bem desenvolvidos e atuações sólidas, sem destaque a ninguém. Também, com um elenco desses, fica difícil deixar um se sobressair.

No final das contas, Soderbergh fez um thriller que me lembrou muito o Ensaio Sobre a Cegueira(dirigido por Fernando Meirelles, baseado em obra homônima de Saramago), em que uma doença causa o terror, e o terror de não saber o que está acontecendo, como, e porque revela as piores facetas da humanidade.

Informações Técnicas:

Título original: Contagion

Título no Brasil: Contágio

Direção: Steven Soderbergh

Gênero: Thriller, Suspense

Tempo de Duração: 106 minutos

Ano de Lançamento: 2011

Custo: $60 milhões

Grude: ★★★★☆ <- apesar de terem me vendido errado, não foi decepcionante

Post to Twitter