Arquivo suspense | Chiclete na Poltrona
out 31 2011

[Resenha] – 72 Horas – The Next Three Days

por Bruno Pedrassani

Acho que nunca entenderemos o que levam os tradutores de títulos de filmes a nunca traduzir de fato um título. Está certo que neste caso 72 horas significam três dias, mas concordemos, o nome mais próximo seria Os Próximos Três Dias.

Digo isso porque, 72 Horas carrega um peso de urgência que aqui conhecemos bastante nos filmes de ação, mas isso não reflete o filme de fato, porque este não é um filme de ação. Talvez fosse o objetivo dos tradutores mesmo, mas de vez em quando o tiro sai pela culatra, uma vez que, por exemplo, minha sogra quase não assistiu o filme justamente por acreditar ser um filme de ação.

Os Próximos Três Dias, digo, 72 Horas

E se você tivesse 72 horas pra salvar tudo pelo que você vive?

Taí, daqui veio o 72 horas

Logo na sequência inicial, vemos J0hn Brennan(Russel Crowe) e sua esposa, Lara Brennan(Elizabeth Banks), saindo para um jantar em casal com a chefe alguém que eu acreditei ser a chefe de Lara. John parece se divertir, e o marido da chefe de Lara também, mas as duas mulheres trocam atritos em alguns assuntos controversos(como sempre, homens se divertem, mulheres de digladiam), brigam, e a noite acaba mais cedo.

Na manhã seguinte, durante o café, entre uma conversa com John e o filho do casal, a polícia invade a casa dos Brennan e leva Lara presa, sob acusação de ter matado a chefe(que, como bem lembrado pela minha mulher querida Maria Augusta, não era a mesma mulher que jantou com eles). Pra deixar ainda mais um clima de suspense, no momento em que a polícia entra na casa dos Brennan, Lara estava limpando uma mancha de sangue do seu sobretudo.

Lara é presa, e nenhuma das apelações do marido surte efeito, ou seja, ela é condenada a ficar atrás das grades mesmo. Só que John não se conforma, e mais, ele nunca sequer cogita a possibilidade da mulher ter assassinado alguém. Aqui começa a saga de John.

Como a justiça não serviu pra ele, John começa a procurar meios de tirar a mulher da prisão, e pra isso ele se encontra com Damon Pennington(Liam Neeson, numa participação bem modesta), um cara que já havia fugido várias vezes de prisões. Tirando o fato de, como raios ele encontra um cara desses tão fácil?(EDIT: como bem lembrado nos comentários pelo André e pela Maria Agusta, o cidadão aí havia escrito um livro sobre o assunto de fuga), John recebe dicas importantes sobre o que fazer e como fazer.

Assim, vendo vídeos no Youtube e com um plano extraordinário em mente, John tem 72 horas pra tirar a mulher da prisão e fugir. Ah, ia me esquecendo, o 72 horas é porque ela seria transferida pra outro local extremamente longe de John e do filho ao final desse período.

Gostei do filme. Russel Crowe é bom ator(apesar de meu sogro achar ele tão sem expressão quanto Keanu Reeves) e a história, apesar de ser bastante extraordinária – contanto com boa dose de sorte também -, se mostra bastante crível. A descoberta de tudo o que acontece nos momentos finais é regozijante, e certamente te faz pensar: até onde você é capaz de ir por alguém que você ama?

Informações Técnicas:

Título original: The Next Three Days

Título no Brasil: 72 Horas

Direção: Paul Haggis

Gênero: Drama, Suspense, com um tequinho de Ação no final

Tempo de Duração: 133 minutos

Ano de Lançamento: 2010

Grude: ★★★½☆

OBS: Esse filme é remake do francês Pour Elle, de 2008, com Diane Kruger.

 

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set 12 2011

[Resenha] 13: O Jogador

por Bruno Pedrassani

Já falei que sou fã do Jason Statham. O cara é o brutamontes que veio preencher as lacunas dos filmes de ação dos anos 80 e 90, e incrivelmente ele sabe atuar(e não só correr, atirar, matar, detonar, pegar mulheres, matar, atirar, correr).

Então toda vez que vou em uma locadora de filmes(Netflix ainda tem que melhorar e trazer o client pra Xbox brasileiro), quando tem Statham na capa, eu dou uma olhadela de revesgueio.

Confesso: nunca tinha visto e nem ouvido falar de 13: O Jogador, mesmo tendo nomes de peso como o próprio Jason Statham, Mickey Rourke, Ray Winstone, David Zayas(o Batista do seriado Dexter), Alexander Skarsgård(o Eric de True Blood) e ainda 50 Cent(não que ele seja um ator). Possivelmente porque esse filme nem tenha saído no cinema, deve ter ido direto pra DVD. Enfim.

Sam Riley vive Vince, um rapaz de certa forma inocente que está com o pai internado, e a família está sofrendo com falta de dinheiro. Estão perdendo a casa e precisam de mais dinheiro para outra operação do pai.

Enquanto está trabalhando em uma casa, ele vê o dono receber uma carta, e ouve que há uma maneira de ganhar muito dinheiro em um dia. Pra sorte(ou azar) de Vince, o cidadão era um drogado e tem uma overdose. Vince então se aproveita, pega a carta e segue as instruções da mesma.

Ele não tem a mínima idéia do que é ou o que deve fazer, mas vai seguindo as instruções até descobrir que ele faz parte de um jogo de roleta russa com apostas milionárias. Detalhe: ele é um dos “jogadores”, ou seja, ele joga com a própria vida.

O filme é cheio de jogadas de sorte e azar(o que explica-se: o número 13 é um número de sorte pra muitos, e azar para outros), e é executado bem. Rourke tem uma atuação padrão de canastrão, e incrivelmente Statham não é o protagonista(como é de se pensar pela capa do DVD brasileiro), ou seja, ele não mata todo mundo que vê pela frente nem tira bombas de carros fazendo-os capotar, mas convence. Não há nenhuma atuação magnífica, mas nenhuma forçada também, todos na medida.

O filme em si traz uma certa tensão e eu gostei do desfecho final. Aliás, esqueci de dizer, ele é um remake do filme francês de 2005, 13 Tzameti, que inclusive foi dirigido e escrito por Géla Babluani, o diretor deste remake. O filme não é ruim servindo bem como thriller, e a atmosfera meio O Albergue é um plus a mais algo que ajuda a prendê-lo à história.

Informações Técnicas:

Título Original: 13

Título no Brasil: 13: O jogador

Direção: Géla Babluani

Gênero: Thriller / Suspense

Duração: 97 minutos

Ano de Lançamento: 2010

Origem: EUA

Grude: ★★★☆☆

PS: Vou citar aqui minha namorada ao ver o filme. Em uma das cenas, é mostrado todos os apostadores e jogadores no local. Percebe-se que não há NENHUMA MULHER no local. Minha namorada solta: “Veja, um jogo babaca desses só tem homem”. Hahahahaha, pior é que nem dá pra discordar, pois se algo do tipo existir, só homem pra gostar disso mesmo.

 

 

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set 2 2011

[Resenha] A Garota da Capa Vermelha

por Bruno Pedrassani

Uma versão atualizada do conto dos Irmãos Grimm, e que surpreendentemente, eu gostei.

Fiquei com o pé atrás pra assistir esse filme, porque é dirigido pela Catherine Hardwicke(pra quem não sabe, é a diretora da série Crepúsculo. É, eu sei, que porcaria), mas aí você dá uma olhada no elenco: temos Amanda Seyfried(desde que ela fez Mamma Mia! – filme baseado em músicas do ABBA – eu gosto dela), Virginia Madsen(indicada ao Oscar por Sideways) e o incontestável, Gary Oldman. Pense: quão ruim pode ser um filme com Gary Oldman? Além disso, se olharmos no pessoal por trás das câmeras, encontramos ninguém menos que Leonardo DiCaprio como produtor executivo. DiCaprio é um dos caras mais competentes de Hollywood, tanto atuando como produzindo. Decidi ver o filme.

Olhem essas árvores? Se trupicar, capaz de morrer com um espinho na garganta

A história se passa mais ou menos na idade média – apesar do filme nunca te contar isso – em um vilarejo qualquer. Valerie(Seyfried) tem um relacionamento desde criança com Peter(Shiloh Fernandez), mas em sua vida adulta acaba prometida pra casar com o cara cheio da grana(claro!), Henry(Max Irons).

Mas o negócio é que esse vilarejo é atormentado por um lobisomem. Durante anos os melhores animais foram sacrificados, pra que o lobisomem não atacasse humanos, mas por algum motivo a regra foi quebrada, e a irmã de Valerie aparece morta.

A direção de arte do filme está excelente. Como você pode ver no cartaz acima, o filme tem cores diferentes de uma maneira a ressaltar as cores mais vivas(não só o vermelho), e as locações são realmente bonitas.

Apesar de muitos críticos de plantão reclamarem do roteiro, achei ele agradável. Se desenvolve bem, sabe criar um suspense na hora certa e vai dando algumas dicas, e o mais legal, você reconhece os elementos que tornaram a história da chapeuzinho famosa, como a maçã, o lenhador, o bosque, a vovozinha, o lobo, mas tudo inserido no contexto. Eu realmente gostei disso.

As atuações foram boas no geral. Amanda convence bem, Gary Oldman e Virgina Madsen não preciso nem comentar. O que me incomodou bastante foi a atuação do Shiloh Fernandez. Ele tentou passar um ar de “sou o fodão corajoso”, mas ele não tem carisma suficiente pra passar esse ar sem parecer um babaca. Já Max Irons além de ser meio covarde no filme, tem carisma pra que você goste do personagem.

Como disse no começo, fiquei com um pé atrás pra assistir, mas gostei bastante do que vi. Os efeitos do lobisomem(esse é lobisomem mesmo, não é lobinho) estão bons, a arte está excelente e as atuações no geral foram boas. Há uma certa obviedade no roteiro, e na metade do filme se você prestar atenção já dá pra saber quem era o lobisomem, mas isso não tirou o brilho da história.

Informações Técnicas:

Título Original: Red Riding Hood

Título no Brasil: A Garota da Capa Vermelha

Direção: Catherine Hardwicke

Gênero: Suspense

Duração: 100 minutos

Ano de Lançamento: 2011

Origem: EUA / Canada

Grude: ★★★½☆ <- apesar de só mostrar 3.5, a nota é 3.7 :)

PS: Só a capa vermelha dela que deve ser mágica, porque conforme vai passando o filme a capa vai aumentando de tamanho :P

 

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ago 31 2011

[Resenha] O Escritor Burro, digo, Fantasma – The Ghost Writer

por Bruno Pedrassani

Ewan Obi-Wan McGregor vive um escritor fantasma inglês de sucesso(o que isso sifgnifica, sabe-se lá quem sabe). Escritor fantasma é o cara que escreve(livro, artigo, frase, qualquer coisa) para uma pessoa, geralmente algum tipo de celebridade, mas que não leva créditos pela obra. Muito comum esse tipo de profissional ser contratado pra escrever autobiografias de gente famosa. É tipo a amante no mundo de escritores.

Então voltando, McGregor é um escritor fantasma de sucesso, que aceita editar/re-escrever a autobiografia do ex-primeiro-ministro britânico, Adam Lang(Pierce Brosnan), porque o antigo escritor fantasma de Lang morreu em um aparente acidente. Ele terá que fazer esse trabalho em um mês, e será em uma cidade costeira americana ficcional qualquer, onde Lang está passando os dias.

O trabalho começa, ele conhece todos, se hospeda e vai fazendo tudo como o programado. E é a partir daqui que o filme desanda.

Como escritor fantasma, ele assina um termo de confidencialidade, o que é de se esperar. No meio do trabalho, Adam Lang é acusado de cometer alguns crimes de guerra, e isso dá início a uma crise em todo o ambiente de Lang. O maior problema é que o escritor fantasma começa a investigar alguns fatos que parecem errados/mentira, e ir cada vez mais a fundo, sem nenhuma motivação! Ele não é repórter investigativo(inclusive ele fala isso no filme!), mas ao invés de fazer o trabalho pra que está sendo pago, não, fica fuçando na vida alheia. Tem que se foder mesmo.

Isso me tirou muito do filme. Foram várias as vezes em que eu me perguntava: “pra que você vai fazer isso animal? Você não tem NENHUM motivo pra fazer isso!”.

E nisso o filme vai se sustentando em absolutamente nada. Há uma intriga, uma aparente conspiração, mas não há motivo pro escritor estar no meio.

As atuações pelo menos foram boas. Gosto do trabalho do McGregor, e Olivia Williams é muito boa mesmo. Pierce Brosnan convence.

É possível ver também o cuidado que Roman Polanski tem com as cenas e o filme no geral, e que ele realmente sabe o que faz, mas as falhas no roteiro me incomodaram demais, principalmente a falta de motivação do personagem principal.

O final é bom e é exatamente o que deveria acontecer se fosse um caso real, mas só.

Informações Técnicas:

Título Original: The Ghost Writer

Título no Brasil: O Escritor Fantasma

Direção: Roman Polanski

Gênero: Suspense

Duração: 128 minutos

Ano de Lançamento: 2010

Origem: França / Alemanha / Reino Unido

Grude: ★★★☆☆ <- ainda vou pensar em tirar meio chiclete por ser do diretor pedófilo aí :P

PS: coincidências com Tony Blair não são mera semelhança. Ou não. Ou o contrário.

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ago 24 2011

[Rebobinando] Sob o domínio do medo (1971)

por Alexandre [Cabeça]

Inquietante. Talvez a palavra mais apropriada pra resumir minha impressão de Sob o domínio do medo. Filme do, pra mim fodástico, Sam Peckinpah e protagonizado pelo, certamente mais foda, Dustin Hoffman só poderia ter como resultado um drama/suspense de nível acima da média. Olha que é difícil eu citar nomes por aqui, pois sempre costumo dar ênfase a estória que estou resenhando, mas às vezes faz-se justo ratificar o reconhecimento pelo trabalho de alguns caras.

A trama começa com o casal David e Amy Sumner procurando refúgio em um vilarejo da Inglaterra. O casal dá sinais de ser recém-casado, já que eles meio que não conhecem o comportamento um do outro em algumas situações. O clima começa a mudar entre eles pouco a pouco, pois David quer mergulhar em seu trabalho e sua esposa não é muito de ficar de boa realizando tarefas domésticas rotineiras. Amy já havia passado parte de sua vida nessa casa no vilarejo, o que faz com que conheça de outras micaretas alguns caras da gang da maldade (vulgo, banda Cachorro Grande). A gang é contratada pra reformar a casa onde o casal pretende passar a temporada, só que a esposa parece dar bola pra um dos caras, com quem ela, talvez, já tenha tido um ziriguidum no passado. Ou seja, o casal vai dando mole pra Kojak. Não bastasse esse seu possível ex-rolo ficar na fissura, Amy começa a povoar o imaginário dos outros trabalhadores, às vezes até contribui pra isso com um vacilo aqui e ali, quem sabe até propositalmente. Mas, apesar disso, Amy se sente incomodada com a presença e o comportamento dos figuras. David é meio ingênuo, o que de certa forma irrita sua parceira pois ele não percebe que a urubuzada que tá em volta não merece muita confiança. Num belo dia, após uma “brincadeira sem graça”, vamos assim dizer, que os caras aprontaram pra cima de David, este resolve demití-los. Mal sabia ele que o que já estava ruim iria ficar ainda pior (final padrão pra uma resenha de um suspense, né, não?).

Um bom filme, com uma boa narrativa. A ação vai numa crescente até encontrar seu desfecho. Dustin manda muito bem no papel de David. Não tem como não ficar puto com a passividade de seu personagem diante das situações que lhe são apresentadas. Dá pra traçar bem seu perfil e entender suas atitudes e como isso reflete na relação com sua esposa e no comportamento dela.

P.S.: A cena do estupro é punk, mas não achei tão pesada. Pra mim, a de Irreversível ainda ganha (Ok, não vi A Serbian Film).

P.S.2: Soube agora que o filme terá um remake previsto pra Outubro desse ano. Puta merda… Tendo o original a dupla Peckinpah-Hoffman, aqui pra nós, qualquer tentativa de reconstruir a estória é, no mínimo, heresia.

Informações
Título no Brasil: Sob o Domínio do Medo (Straw Dogs)
País de Origem: Reino Unido / EUA
Gênero: Suspense
Duração: 118 minutos
Ano de Lançamento: 1971
Direção: Sam Peckinpah

Grude: ★★★★☆

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