[TrashBack] O Massacre da Serra Elétrica (1974)
Após a boa repercussão da resenha escrita pra categoria TrashBack — Remo Desarmado e Perigoso, lembra? –, fiquei pensando qual seria a bola dessa vez. Recebi algumas sugestões e escolhi O Massacre da Serra Elétrica pra dar sequência. É complicado escrever sobre clássicos, pois isso pode trazer a ira dos fãs mais inveterados. Então é bom que, em primeiro lugar, separemos as coisas. Uma coisa é o fato real, os assassinatos envolvendo um cara com uma serra elétrica no Texas em 73. Outra coisa, é a versão de parte desses crimes apresentada no filme. Achei que seria de bom grado colocá-lo na categoria Rebobinando que trata de filmes do passado, sem descambar pra zoeira, mas comecei a assistí-lo e pensei que dava pra entrar no TrashBack mesmo, porque ô filme paia… Então vamo que vamo, já que essa categoria tá aqui pra isso mermo.

O filme começa como todo sagaz diretor de filmes terror imagina, mostrando um grupo de jovens em uma Van procurando diversão nos cafundó do judas. Já no começo, o diretor trata logo de deixar claro a que veio e faz um cadeirante rolar ribanceira abaixo na hora em que ele se preparava pra dar uma mijada na beira da estrada. Rapaz, um cara que bola uma cena dessa, que arregaça um cadeirante nos 5 minutos iniciais, de graça, já quer te preparar pro pior (qualquer que seja o sentido da palavra).
A viagem segue em meio a conversas marotas sobre gado morrendo e horóscopo do dia, e após um pitstopzinho rápido num cemitério pra checar se a catacumba de vovô estava em ordem, a gang resolve dar carona a um andarilho. Ele aproveita o clima aprazível do carro para exibir suas habilidades no ramo da pirofagia e dos instrumentos de corte. Coitado de Franklin, o cadeirante, que foi vítima das insanidades do estranho. O caroneiro é expulso e a viagem segue. Pra onde? Olhe, difícil saber. Mas eles vão. Se eu não estou enganado, é no meio do caminho que eles decidem visitar uma casa abandonada onde papai morou, e onde alguns deles passaram a infância. Antes, claro, uma passada num posto de gasolina pra interagir com mais gente estranha, o dono do posto e seu ajudante, o Sloth dos Goonies.
Enfim, chegam à velha casa de papai. Chegam tão animados que acabam entrando e deixando Franklin quarando lá fora e que se vire pra entrar. A casa é velha, escura, esculhambada, sem p*rra nenhuma pra fazer por lá, mas, talvez influenciados pelo cheiro da erva que se fumava por ali antigamente, os casais não param de rir. Sim, são dois casais e Franklin. Sem conseguir conter a excitação de estar num lugar tão inspirador, um dos casais decide procurar um lago que Franklin disse existir a poucas léguas dali, na esperança de encontrar um ganso clamando por afogamento. E como duas maritacas no cio adentram o matagal, em busca do oásis do prazer. Chegam no lugar onde seria o lago e não encontram nada além de areia. De lá ouvem o barulho de um motor numa casa próxima e resolvem ir em busca de gasolina (não, a Van não tava sem combusta. Era só prevenção). Depois de chamar pelos donos da casa e ninguém aparecer, o cara resolve entrar na casa! Não sei, talvez fosse normal no Texas entrar na casa alheia após 3 silvos longos e um breve e não obter resposta. Pois ele escolheu o pior dia pra fazer isso, porque o LeatherFace estava bem no meio do seu expediente de serviço e, claro, devidamente caracterizado e com um de seus intrumentos de trabalho em mãos. Depois de entrar, o garotão tropeça e cai nos braços de LeatherFace. Talvez até o bandido nem quisesse matar naquele dia, mas como tava rolando um delivery, sem taxa, ele só fez o que mais sabe fazer: quitutes. A namorada que havia ficado lá fora, acha estranho a demora do rapaz em voltar e resolve ir atrás dele. Resultado: gancho nas costas e 2×0 pro CaraDeCouro.
Nisso volta o foco lá pros outros 3 que ficaram. Deles, um dos dos caras acha estranho a demora do casal em voltar e resolve ir atrás deles. Chegando lá, mais uma presa vai pro abate. Imagino que o assassino pode ter concluído que aquele era, definitivamente, seu dia de sorte. Percebam que até agora ele não teve que sair de casa pra se divertir. Nisso volta o foco lá pros outros 2 e blábláblá… Sim, é a mesma coisa. Sem brincadeira, todos eles, um a um, vão na casa do assassino pedindo pra morrer.
Durante o filme há todo um esforço dos protagonistas pra nos fazer crer que o bandido (ou o mal) os persegue, mas são eles quem se oferecem pro sacrifício. Quando sobra só a menina aí o filme tem seu momento alto, no terror psicológico que ela passa na mão de LeatherFace e família. Uma família de sádicos. As atrocidades pelas quais ela passa são marcantes. Talvez até mais que o símbolo da serra elétrica nas mãos do assassino.
É bom enfatizar que o filme é baseado em fatos reais e que serviu de referência para tantos outros que vieram em sequência mostrando grupos de jovens perseguidos por um maníaco, por isso tem seu valor. Mas a produção é pobre e deixa a desejar. Acabo tendo que concordar com a conclusão de um amigo, que disse: “talvez eles quiseram fazer um pornô e no meio das filmagens acharam que dava pra virar qualquer coisa que assustasse”. Sem mais.
Informações:
Título no Brasil: O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chain Saw Massacre)
País de Origem: Estados Unidos
Gênero: Terror
Tempo de Duração: 84 minutos
Ano de Lançamento: 1974
Direção: Tobe Hooper
Grude: 













