Arquivo Super-Heróis | Chiclete na Poltrona
out 2 2012

[Rebobinando] ou seria [TrashBack]? Darkman – Vingança Sem Rosto

por Bruno Pedrassani

Antes de fazer a trilogia do Homem-Aranha, Sam Raimi escrevia e era diretor de filmes realmente bons, principalmente de terror. Já falei de alguns aqui, aqui e aqui, e até recentemente ele voltou a fazer filmes do gênero, com o ótimo Arraste-me Para o Inferno.

Quando Raimi não conseguiu os direitos pra fazer sua versão de Batman nem d’O Sombra(The Shadow com o Alec Baldwin), ele decidiu fazer o seu próprio filme de super-herói, ou de anti-super-herói. Assim nasceu Darkman.

Darquisson seria o filho do Darkman?

Liam Neeson(já começamos bem) vive o cientista Dr. Peyton Westlake, um cara descolado que inventou uma máquina-super-ultra-mega-power capaz de escanear uma foto qualquer e CRIAR DO NADA uma pele/rosto de qualquer pessoa da foto. Mas é claro que, como no filme TRON em que inventam o teletransporte e ninguém percebe, a máquina poderosa não é a invenção do Dr. Peyton. O trabalho dele é criar uma pele sintética pra ajudar vítimas de queimaduras e afins. O problema da pele que ele criou, é que ela dura 99 minutos antes de se desintegrar.

Paralelamente ao trabalho do grande Peyton, temos a horrorosa(é feia, mas boa atriz) Frances McDormand vivendo Julie Hastings, namorada de Peyton, advogada que trabalha pra um corrupto qualquer. O problema é que sem querer ela descobre um memorando que incrimina o chefe dela, e como a mulher sempre tem que ser idiota nesse tipo de filme, ela vai “confrontar” seu chefe sobre o memorando. Claro que dá caquinha. Ele admite, ela para de trabalhar pra ele, mas quem paga por tudo é Peyton, porque o gangster Robert Durant(vivido pelo excelente Larry Drake) vai atrás do memorando, e obviamente, nosso herói não sabia de nada. Assim, na cena clássica com o patinho balançando pra acender o isqueiro, Peyton literalmente é explodido em seu laboratório, literalmente(de novo – quanta literalidade) voando pelos ares(o boneco voando e caindo no rio é engraçadíssimo).

Quem não lembra?

Claro que a explosão não mataria nosso herói, mas sim, faria com que nascesse. Peyton é encontrado, dado como um mendigo qualquer, levado a um hospital. No hospital, ele sofre uma operação que sei lá qual era o nome, em que basicamente é cortado a ligação entre o cérebro e os receptores de dor pelo corpo. Assim, o paciente não sente mais dor. Darkman nasce aqui. Sem sentir dor, outros sentidos são aguçados, e sentimentos também. Darkman explode em raiva e força, e assim, ele começa a ir atrás de todos que fizeram isso com ele.

Só que, como ele está todo desfigurado pela explosão, ele vai usar da sua máquina poderosa e sua pele sintética pra ter o rosto de quem ele quiser e atingir sua vingança. Ahhhh, a doce vingança.

O filme é excelente. Como toda boa obra de Raimi, ele flerta entre o terror/suspense e a comédia. Os efeitos, ora são muito bons, ora são catastróficos de toscos, mas a maquiagem do filme é muito boa. E nem precisa falar né, temos o Neeson aqui. Só acho que Raimi poderia ter pego outra mulher, mais bonitinha pro papel da namoradinha insignificante. Frances não pode mostrar que é boa atriz, e pô, esse cabelinho dos anos 80-90 é de matar…

Seria Chitão ou Xororó?

Informações Técnicas:

Título Original: Darkman

Título no Brasil: Darkman – Vingança Sem Rosto

Direção: Sam Raimi

País de Origem: EUA

Duração: 96 minutos

Gênero: Ação / Super-Herói

Ano de Lançamento: 1990

Custo: 16 milhões

Grude: ★★★★☆

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jul 8 2012

[Resenha] O Espetacular Homem-Aranha

por André Soares

Exatamente cinco anos, dois meses e dois dias depois do último filme, é lançado aqui no Brasil o reboot (reinício) da série do Homem-Aranha, apesar da trilogia inicial ser considerada uma de sucesso. A descrença com esse novo projeto foi o principal desafio que o cabeça de teia teve de superar para justificar esse recomeço. Inicialmente muitos não apostavam no herói, acreditavam que não era preciso contar uma nova história, mas a cada trailer do filme O Espetacular Homem-Aranha se mostrava melhor. Eu já esperava muito do filme, então para mim não foi nenhuma surpresa quando os 136 minutos da película chegaram ao fim.

A história do Homem-Aranha é batida, todos que já assistiram a trilogia do Sam Raimi conhece o básico: um garoto meio esquisito, praticamente sem amigos e que é constantemente maltratado pelos bullys do colégio, esse é Peter Parker. Acontece que Peter é picado por uma aranha geneticamente modificada e ele ganha super poderes com as características do aracnídeo. Para tentar dar um novo rumo a essa história, esse reboot se desenrola seguindo um plot principal: contar a verdade sobre os pais de Peter, onde vai contar o porquê deles terem abandonado seu filho. Nada disso foi abordado alguma vez nos quadrinhos, na verdade isso foi utilizado como um diferencial para chamar mais atenção a essa nova trilogia. O filme está constantemente te lembrando que existe algo na história dos pais deles, mas ela ficará para o segundo ou o terceiro filme.

O Espetacular Homem-Aranha começa nos mostrando um Peter diferente, ele não é tão nerd assim, na verdade ele é até um cara descolado, que anda de skate e até mesmo que tem destaque na escola devido as fotos que tira, ainda assim Peter parece ser um tanto esquisito para poder entra nos círculos sociais do seu colégio. Ele mostra desde as primeiras cenas no colégio que possui um senso de justiça, que deseja defender os mais fracos, só faltando a ele os métodos necessários. Mas eis que então Peter adquire esses métodos e o que se segue é um dos pontos altos do filme, a forma como ele começa a descobrir os seus poderes.

Para mim, talvez pelo fato de não possuir os lançadores de teias biológicos, como na trilogia inicial, o foco nas verdadeiras habilidades dele, como o equilíbrio, a força, a agilidade e o sentido aranha ficaram bem melhores do que na trilogia inicial, particularmente achei esse novo sentido aranha muito mais legal que o “original”, ele não enxerga tudo a sua volta em câmera lenta e resolve o que fazer, é tudo uma espécie de reflexo instantâneo. Essa nova abordagem permite que seja possível ver várias das poses características dos quadrinhos, como quando ele salta da ponte para ir atrás do Lagarto, ou quando está sendo perseguido pela polícia, ou a última posição do filme, que nos permite ver o aranhudo saltando da tela através do 3D que é outro ponto alto do filme, ele está lá todo o tempo, algumas vezes é até difícil de notar, mas ele está lá. Algumas cenas te jogam algo na cara, mas nada muito na cara, apenas para que você tenha essa noção de profundidade, e a parte dos hologramas ficou bem legal.

E isso tudo que falei é só o primeiro ato do filme. O fim do primeiro ato se dá com a morte de um personagem muito importante para a construção do caráter do herói (todo mundo sabe quem é, mas ainda assim não vou dizer) e eu senti o peso da sua morte mais do que no outro filme. E é após isso que o Homem-Aranha decide ir atrás de criminosos, mas somente quando o Lagarto faz sua primeira aparição e acontece a cena do carro em chamas que ele entende que está destinado a coisas maiores e é aqui que a trama do filme começa a se desenrolar com força. Peter passa a perseguir o Dr. Connors, pois acredita que a culpa é dele o fato do vilão existir. A fera vai tendo mais consciência do que fazer e arquiteta um plano de um ataque químico à cidade, claro que cabe somente a o cabeça de teia detê-lo.

Vou tentar não me ater muito mais ao enredo do filme e queria falar de algumas coisas que, de forma boa ou não, se destacaram para mim. A história como um todo está muito boa, suas motivações, como tudo aconteceu para ele conseguir os poderes, o romance, que é outro ponto alto do filme, o Peter gênio e inventor funciona muito bem, pois desde as primeiras cenas já mostra que ele tem facilidade para mexer com tecnologias e, por fim, outro ponto alto do filme que é a nova forma de luta do Homem-Aranha, ele realmente parece uma aranha lutando, perceba quando ele “envelopar” o Lagarto.

Mas algumas outras coisas me incomodaram também. O fato de um determinado personagem sumir ao final da cena da ponte (talvez ele volte a aparecer no segundo filme, mas ainda assim é mal explicado), a cena do telhado entre Gwen e Peter, que começou muito bem construída, mas acabou tendo um desfecho que não foi exatamente ruim, mas que poderia ser bem melhor e bem mais crível. A cena com a bola de futebol americano que para mim não precisaria nem estar no filme e que no máximo serviu para mostrar a sua força, sendo que a gente já tinha ideia. O Lagarto e sua bombinha química, ta certo que ali serviu para mostrar que apesar de estar na forma da fera o Dr. Connors ainda tinha consciência do que fazia, mas ter na sua frente exatamente os ingredientes para fazer uma bombinha foi bem difícil de engolir.

Quanto a questões mais técnicas o filme é impecável. Direção muito boa, o senhor Marc Webb, mostra que não sabe só dirigir filmes de romance adolescente (apesar de ter sido por isso que ele foi contratado). Atuações maravilhosas, principalmente do Andrew Garfield, onde uma cena de discussão com o Tio Ben me valeu um nó na garganta e uma engolida em seco. Cenas noturnas claras de se ver. E as cenas em primeira pessoa com certeza são um diferencial desse filme.

O Espetacular Homem-Aranha é um filme que começou descrente e foi crescendo aos poucos. É um filme que surgiu com a difícil missão de contar uma história que justifique o reboot da franquia e que para mim conseguiu. Algumas das coisas que ficaram em aberto ao final do filme funcionam muito bem e deixam uma brecha para os próximos filmes. O Espetacular Homem-Aranha é isso, um filme muito bom com um potencial para muito mais.

Informações Técnicas:

Título Original: The Amazing Spider-Man

Título no Brasil: O Espetacular Homem-Aranha

Direção: Marc Webb

Gênero: Ação/Super-Herói

Duração: 136 minutos

Ano de Lançamento: 2012

Origem: EUA

Grude: ★★★★½

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Ps: Esperem um pouco antes de sair do cinema, tem uma cena entre os créditos.

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