[Resenha] O Inverno Da Alma – Winter’s Bone
Como normalmente acontece comigo, sempre que vejo um ator/diretor/qualquer-coisa que eu considere bom, procuro mais obras do mesmo. Acredito que é algo intrínseco a muitas pessoas que leem esse blog grudento também.
Então que, depois de ver a excelente atuação da Jennifer Lawrence em Jogos Vorazes, fui procurar mais da moçoila(apesar de bom filme, a atuação dela em X-Men: Primeira Classe foi pequena). Achei por bem começar pelo filme que rendeu a indicação de Oscar de melhor atriz pra ela(a segunda mais nova a ser indicada a uma estatueta, diga-se de passagem), Winter’s Bone, ou aqui no Brasil, O Inverno Da Alma.
Engraçado que, apesar do próprio filme ter concorrido ao Oscar de melhor filme em 2011, ele não apareceu nos cinemas daqui por não ter o apelo blockbuster, uma vez que é um filme independente de baixo orçamento.
Falar somente cria testemunhas
Pra começar bem, é um filme original. A história não é algo lugar-comum, não é algo que você tenha visto muito por aí. E pra adiantar, Jennifer Lawrence está excepcional no papel de Ree Dolly, mereceu a indicação. Pena que a concorrência do ano foi com a Natalie Portman em Cisne Negro, era um páreo duro demais pra novata.
Ree Dolly é uma garota de 17 anos que mora com a mãe e seus dois irmãos mais novos, no interior dos EUA. Só que, Ree é a provedora da casa(esse papel rendeu o de Jogos Vorazes a ela?), uma vez que sua mãe está catatônica e seu pai sumiu. Pois é, a menina cuida de um garoto de 12 anos, uma garota de 6, e de sua velha mãe doente.
Então aqui temos aquele cenário comum meio interiorano, com uma família em dificuldade, sem dinheiro, mas sobrevivendo. Só que, a vida meu amigo, a vida não quer saber de nada disso e dá um tapa na cara de Ree. Certo dia, o xerife vai visitá-la, perguntando do pai dela, Jessup, uma vez que ele havia saído da prisão, mas pagou a condicional dando as terras e a casa deles como garantia. Se ele não aparecesse no julgamento, eles perderiam tudo.
É aqui que começa a jornada de Ree atrás do seu pai, ou pelo menos descobrir o que sobrou dele, se for o caso, para evitar perder tudo e não conseguir criar seus irmãos. Ninguém sabe onde ele está, ou ninguém quer falar. Jessup era um “cozinheiro” das drogas, então o negócio era pesado, mas Ree vai atrás mesmo assim. Em um lugar em que tudo é segredo, e onde as mulheres temem seus homens, a jornada de Ree parece impossível.
O filme conta ainda com uma contundente atuação de John Hawkes como Teardrop Dolly, irmão de Jessup e tio de Ree. Também não recebeu uma indicação ao Oscar à toa não: o cara bota medo, é drogado, violento, mas você acaba gostando dele pelas suas ações.
A direção de Debra Granik também é algo digno de nota: Jennifer pode ser excelente atriz, mas um diretor é quem extrai a atuação do ator, e foi o que Debra fez. Se há uma cena em que é necessário subir uma colina, Jennifer teve que subir a pé. Cotar lenha? Vai lá Jennifer. Abrir um esquilo ou cuidar de um animal da fazenda? Faça isso Jennifer. Debra colocou vários desses “obstáculos” no set pra Jennifer transpor, afim de fazer a atriz entrar no papel, viver aquilo, ter o vigor necessário. E depois que vemos o filme, sabemos que funcionou.
PS: além das indicações de Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Filme, O Inverno Da Alma concorreu a Melhor Roteiro Adaptado, que por sinal, foi coescrito pela Debra Granik.
Informações Técnicas:
Título Original: Winter’s Bone
Título no Brasil: O Inverno Da Alma
Direção: Debra Granik
Gênero: Drama
Duração: 100 minutos
Ano de Lançamento: 2010
Origem: EUA
Custo: $2.000.000
Grude: 












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