Arquivo Policial | Chiclete na Poltrona
fev 28 2012

[Resenha] Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

por André Soares

Se existe algo que me incomoda quanto à leitura do livro que deu origem ao filme é o seu começo arrastado. Eu li e li, e as coisas pareciam que não iam melhorar. Não que o começo do livro fosse ruim, mas considero que era apenas desnecessário já que se focava no início do caso Wennerström, que para mim não precisaria estar tão em foco. Logo, eu tive uma agradável surpresa ao perceber que o filme era diferente disso no livro, no filme tudo é mais “cru”, não se enrola tanto, se vai direto ao ponto.

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres é a adaptação americana do best-seller internacional escrito por Stieg Larsson. O filme se passa na Suécia, focando basicamente dois personagens principais, Mikael Blomkvist (Daniel Craig) e Lisbeth Salander (Rooney Mara). Mikael foi condenado por difamação deste poderoso empresário Sueco, Hans-Erik Wennerström. Ele agora pretende se afastar da redação da sua revista Millennium (daí o porquê de se chamar a Saga Millennium), mas é contatado por um advogado de um outro poderoso empresário Sueco. Mikael vai até Hedestad se encontrar com Henrik Vanger que quer contratá-lo para investigar o assassinato de sua sobrinha Harriet. A situação que se deu para o assassinato é tão bem montada que é quase impossível não se interessar por ela, pois seja lá quem seja o assassino ele faz parte da família, e o mistério já dura quase quarenta anos.

Ao mesmo tempo que vemos tudo isso acontecer também passamos a ter conhecimento de um fundamental personagem do filme, Lisbeth Salander. Lisbeth é socialmente “deformada” e estranha, tem várias tatuagens e tantos outros piercings. E ela conquista você. Lisbeth é uma investigadora de uma empresa de segurança e é ela quem faz a investigação em cima de Mikael para Henrik Vanger, para que o empresário soubesse que Mikael era confiável. São todas as cenas em cima da “deformada” Lisbeth que tornam o filme mais sombrio, e algumas cenas podem ser perturbadoras para alguns, como é o caso do estupro. Mas Lisbeth é forte, inteligente e faz o que quer. Ela vai ganhando aos poucos a aprovação do público, pois por mais que ela seja “distorcida” ela é humana, ela é acima de tudo racional.

Em determinado momento da história esses dois personagens se cruzam e o filme se torna cada vez melhor, não sei se por que eles agora trabalham juntos, ou se pelo simples fato de que agora Lisbeth está envolvida no caso. O filme vai aos poucos se tornando mais sombrio com revelações sobre um possível assassino em série e passagens macabras da bíblia. David Fincher (diretor) soube muito bem como trazer essa tensão a tela nos momentos que se aproximam do desfecho da história, fazendo cortes entre Lisbeth e Mikael, cada um encontrando o culpado do seu jeito. E quando você pensa que tudo acabou, novas revelações são feitas, apesar de que dessa vez eu considerar que ela poderia ter sido feita de forma mais calma ou melhor trabalhada, assim como foi feita no livro. Rooney Mara está fantástica e ofusca Daniel Craig completamente.

Os Homens que Não Amavam as mulheres é um ótimo filme policial/suspense, tanto que ele tem duas horas e trinta e dois minutos e ainda assim não é um filme cansativo, você se prende tanto à história que nem vê o tempo passar. Tendo essa nova visão do livro, acredito que o título original deveria ter sido mantido, pois por mais que se fale sobre homens que não amam mulheres, quem realmente carrega o filme (e o livro) é Lisbeth Salander, A Garota com a Tatuagem do Dragão.

Informações Técnicas:

Título Original: Millennium – The Girl With The Dragon Tattoo

Título no Brasil: Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Direção: David Fincher

Gênero: Policial/Suspense

Duração: 152 minutos

Ano de Lançamento: 2011

Origem: EUA

Grude: ★★★★☆

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jan 18 2012

[Resenha] Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras

por André Soares

“O que está vendo?”

“Tudo, esta é a minha maldição.”

Sempre gostei de filmes e livros policiais. Existe sempre um grande mistério a ser solucionado, com pistas sendo destiladas aos poucos, sempre na medida certa. Se você for um bom telespectador, ou se você prestar bastante atenção, talvez consiga desvendar o crime antes do herói e não existe sensação melhor. Em Sherlock Holmes não existe um crime para ser desvendado, mas existe um jogo a ser jogado, um jogo de sombras.

Os fãs dos livros de Sherlock Holmes sabem que o maior vilão que ele já enfrentou foi o Prof. Moriarty. O professor é astuto, pensa grande, assim como o detetive, mas o professor pode mais, tem recursos para isso. Holmes (Robert Downey Jr.) começa esse segundo filme como em uma das cenas mais memoráveis do primeiro, numa perseguição a Irene Adler (Rachel McAdams), seu amor e ainda assim sua inimiga. Irene ainda trabalha para Moriarty (Jared Harris), mas ele tem conhecimento do que existe entre ela e o detetive e é ai que a primeira reviravolta do filme acontece.

O filme dá continuidade, mostrando agora um Holmes doentio e aparentemente depressivo, próximo de um surto psicológico. Acontece que esse novo e obcecado Holmes é a única chance que a Europa tem de evitar uma guerra. Holmes está sem escrúpulos e ainda mais egoísta, capaz de jogar a mulher de Watson de um trem em movimento para que seu plano dê certo, mas Holmes sabe o que faz, sempre soube, desde o começo.

É esse Holmes doentio que se mostra durante todo o filme, fazendo perceber em determinado momento que talvez tudo isso não se trate de salvar a civilização ocidental, mas sim de vingança. O novo Holmes é muito melhor que o antigo Holmes, suas peculiaridades afloram ao máximo e ele se torna então disposto a cometer sacrifícios para que tudo dê certo. Watson (Jude Law) se torna o personagem secundário que ele é, mas ainda assim imprescindível para que tudo dê certo, pois sem ele Holmes se despedaçaria.

Prof. James Moriarty

Sendo assim é fácil perceber que Robert Downey Jr. está fantástico. Que Jared Harris não fica atrás, e que Jude Law está perfeito no que ele deve ser. O destaque negativo fica para Noomi Rapace, a cigana Simza que no final das contas não adiciona muito para a trama do filme, sendo apenas uma espécie de fonte de locomoção para os dois.

Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras é muito melhor que o primeiro e ainda assim possui tudo aquilo que o primeiro teve. A comédia, as cenas de ação, as deduções espetaculares e as reviravoltas, mas tudo isso elevado a outro nível. A cena da perseguição na floresta é memorável. O jogo de gato e rato (ou talvez de pescador e peixe) tem um final surpreendente que ninguém da platéia espera, ficando ao final uma pergunta, seria aquele o fim?

Espero que não.

Informações Técnicas:

Título Original: Sherlock Holmes: A Game of Shadows

Título no Brasil: Sherlock Homes: O Jogo de Sombras

Direção: Guy Ritchie

Gênero: Ação/Aventura/Policial

Duração: 129 minutos

Ano de Lançamento: 2011

Origem: EUA

Custo: Não divulgado

Grude: ★★★★½

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PS: Este filme também tem aquilo que falei na resenha de Gigantes de Aço. Ao final comecei a prestar mais atenção nas coisas e analisá-las mais, algo que comecei a adquirir ao assistir The Mentalist.

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set 29 2011

[Resenha] O Poder e a Lei

por Alexandre [Cabeça]

Curto filmes de julgamento. O primeiro bom filme que assisti quando lembro do gênero é o, pra mim, sensacional “As duas faces de um crime”, filme que projetou o foda ator, Edward Norton. Cenas épicas de discursos bem proferidos por um advogado tentando inocentar o pior dos elementos que ele está defendendo, trazendo reviravoltas inimagináveis à trama, fazem com que o tema, por mais batido que seja, continue a despertar o interesse dos fãs. Não à toa temos trocentas séries baseadas em disputas e bastidores de processos judiciais. Eis que vejo mais um sobre o assunto, que é O Poder e a Lei.

Na trama, Michael Haller é um advogado que procura pela cidade boas oportunidades de ganhar dinheiro. Ele tem preferência por casos em que a ganha da causa é garantida. Não muito raro, ele atende a motoqueiros, prostitutas, traficantes… Até o dia em que ele se depara com o caso que promete mudar sua vida. Ele terá que defender o jovem playboy Louis Roulet, detido por agressão e tentativa de estupro. Mas rapidamente o caso mais fácil e rentável de sua carreira, acaba jogando Michael numa assustadora situação, onde a tensão aumenta a cada segundo e a verdade se afasta a cada novo passo.

Quando leio o nome de Matthew Mcconaughey, já associo a filmes de comédia romântica, tamanha a dedicação da carreira do cara ao tema. Quando ele foge disso, que é o caso de O Poder e a Lei e do excelente Tempo de Matar, se destaca. No filme ele dá ao personagem o drama na medida, sem forçar. Achei um bom filme, mas não há nada de excepcional por aqui. Nada pelo que se culpar caso você não venha a assistir.

Informações:
Título no Brasil:  O Poder e a Lei (The Lincoln Lawyer)
País de Origem:  EUA
Gênero:  Drama
Tempo de Duração: 118 minutos
Ano de Lançamento:  2011
Direção:  Brad Furman

Grude: ★★★½☆

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jul 25 2011

[Resenha] Assalto ao Banco Central

por Ricardo Lopes

Tinha tudo para ser um grande filme, mas a comédia impregnada no sangue brasileiro, por incrível que pareça, “estragou” o brilho da ação.

Assalto ao Banco Central estreiou na última sexta-feira nos cinemas brasileiro trazendo consigo uma ENORME história do Brasil. Trata-se do maior roubo a banco registrado na história do país, e 2º maior roubo à banco do mundo, um assalto digno de Hollywood tamanha complexidade e audaciosidade deste caso. E não deu outra, o diretor Marcos Paulo levou a história pro cinema e tentou transformá-la em uma ação como estamos acostumados a ver, porém surgiu um humor involuntário.

O filme começa com o ator Milhem Cortaz interpretando o “Barão”, líder da operação. O mesmo começa a recrutar seus comparsas  e neste time temos alguns nomes como: Hermila Guedes, fazendo o papel da Carla (esposa do Barão), Eriberto Leão no papel do Mineiro, Gero Camilo, Heitor Martinez, Juliano Cazarré e mais o irreverente Tonico Pereira interpretando um engenheiro comunista (que de comunista passa longe). Milhem até tenta fazer aquele personagem ao estilo George Clooney em Onze homens e um segredo, um homem sério, inteligente… um líder de grupo. Ainda assim não consegui sentir firmeza na atuação, só conseguia ver o 02 corrupto, não chegou a passar aquela moral que sempre vemos em um líder e acabou estragando o potencial do personagem. Outra que estava junto sem nenhuma função é a personagem da Hermila, que tirando as cenas de sexo não fez mais nada de interessante.

Destaque pro Lima duarte fazendo o papel do Delegado Chefe junto à Giulia Gam, a outra policial. (gracinha, insossa)

Apesar do filme ter sido feito com o intuito de ser uma ação, típico filme policial gerando um certo suspense no roubo, mais parecia que estávamos ali pra assistir  uma comédia. Muitas piadas no meio do roteiro e o rosto conhecido dos atores, geralmente interpretando personagens engraçados na tv brasileira, acabaram gerando um humor totalmente exagerado em meio a “tragédia”. Não dá pra sentir suspense, pois a cada 5 minitos você está rindo de alguma besteira engraçada. Enfim… fui ao cinema com a expectativa de ver um caso sério e sai achando uma piada. E acho que isso não é bom né?

Fica claro que o cinema brasileiro tem crescido, expandindo suas fronteiras de gênero, mas definitivamente erraram feio neste fato verídico. Podiam ter feito algo marcante no cinema, mas dessa vez o humor tomou um rumo negativo. É um filme de sessão da tarde, e não espere mais que isso. Acho que muitos irão ver mais por curiosidade sobre o fato do que qualquer outra coisa.

Assistam e me respondam a pergunta: “Sim, não ou Indiferente?” Pra mim, indiferente… sem dúvidas.

Informações técnicas:

Título: Assalto ao Banco Central

Direção: Marcos Paulo

Gênero: Era pra ser ação, mas tá bem comédia.

Tempo de duração: 104 minutos

Ano de Lançamento: 2011

Grude: ★★½☆☆

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jul 13 2011

[Resenha] Os Esquecidos

por Alexandre [Cabeça]

Comequié, pueblo?!

Dia desses, meio que de bobeira, comecei a ver na tevê um filme e, de cara, seu enredo prendeu. Vi, sei lá, os 20 ~ 30 minutos iniciais e tava me interessando quando tive de sair e não pude ver o restante. Fiquei curioso. Aluguei esse fim-de-semana pra ver qualequiera a da estória. Estou falando de Os Esquecidos.

Forgotten

Telly Paretta é uma mãe que não consegue se afastar da lembrança de seu filho de 9 anos, morto há pouco mais de um ano num acidente de avião. De repente, Telly percebe que as lembranças concretas de seu filho, como fotos e vídeos, não mais existem, estão se apagando. Quando isso ocorre, seu marido e seu psiquiatra tentam convencê-la de que nunca teve um filho, e que as lembranças que tem, de toda a vida do filho, foram criadas por ela, através de um fenômeno chamado de paramnésia. E em cima disso o filme se desenrola, nessa luta da mãe em provar que não é louca e que as memórias dela são reais.

Nunca tinha lido a respeito da trama, por isso não imaginava o que estava por vir. Acontece comigo de não ler a sinopse às vezes, pra não criar qualquer expectativa em cima do que vou ver. Algumas vezes isso é bom, outras não. No caso de Os Esquecidos não curti. Talvez pela minha mania de ficar questionando os acontecimentos, de buscar explicação pra tudo. O filme não precisa explicar tudo, claro, e nem acho tão bom quando o final é dado de mão beijada pro público, mas eu preciso encontrar lógica naquilo que eu vi pra poder curtir ou não a narrativa. Dentro de seu contexto, o filme é bom, sim. Só não é o tipo de rumo que espero que um filme tome, principalmente quando eu aguardo causas naturais para explicá-lo.

Título no Brasil:  Os Esquecidos (The Forgotten)
País de Origem:  USA
Gênero:  Suspense
Tempo de Duração: 96 minutos
Ano de Lançamento:  2004
Direção:  Joseph Ruben

Grude: ★★★☆☆

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