Arquivo Drama | Chiclete na Poltrona
mar 7 2012

[Resenha] Moneyball – O Homem que Mudou o Jogo

por Ricardo Lopes

Desde a sua notícia e divulgação dos trailers aqui mesmo no Chiclete , me interessei em ver “Moneyball”. Tenho um certo gosto por filmes do gênero e com a presença do ótimo ator Brad Pitt tinha tudo pra ser um ótimo filme. Ontem finalmente assisti e resolvi resenhar pra vocês leitores, até porque fazia tempo que não fazia isso.

O homem que mudou o jogo, título que deram aqui no Brasil (que faz até sentido), é baseado no livro “Moneyball - The Art of Winning an Unfair Game” de Michael Lewis, que por sua vez é baseado na história verídica de Billy Beane, um gerente de time de beisebol que com um baixo orçamento consegue criar um time competitivo e entrar pra história do esporte nos Estados Unidos.

Sempre que vejo filmes “motivacionais”  me emociono pela forma como uma ou outra pessoa consegue mudar todo o rumo de uma história, e dessa vez não é diferente. Billy Beane que é interpretado pelo Brad Pitt, que por sinal mais uma vez se mostra um grande ator, começa a ter dificuldades após a perda de um campeonato em seu último jogo. No ano seguinte ele se vê com problemas em montar seu time após a perda de 3 dos seus melhores jogadores para equipes maiores e com a ajuda de um economista começa a projetar uma nova fórmula de sucesso baseada em números e estatísticas matemáticas.

O diferencial do filme está na ótima atuação de Brad e na do Jonah Hill (Superbad), interpretando o jovem economista no ramo de beisebol. A história pra quem não conhece parece ter um rumo parecido com as outras, mas que no final se mostra diferente.

Outro fato que pode mostrar a qualidade do filme, além de ter sido bem recebido pela crítica norte americana, é saber que o mesmo foi indicado em várias categorias no Oscar 2012, entre elas Melhor Filme, Melhor Ator (Brad Pitt) e Melhor Ator Coadjuvante (Jonah Hill), que apesar de não ter levado nenhuma estatueta esse ano, visto que a concorrência era enorme (ou não) , mostrou ser um filme excelente e com muita emoção. Pra quem gosta de um bom drama é um prato cheio.

Informações Técnicas:

Título Original: Moneyball

Título no Brasil: O Homem que Mudou o Jogo

Direção: Bennett Miller

Gênero: Drama

Tempo de Duração: 113 minutos

Ano de Lançamento: 2011

Grude: ★★★★☆

No Oscar: Indicado a Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Montagem, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Mixagem de Som

A lista completa de indicados e premiados você pode conferir aqui.

 

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fev 29 2012

[Resenha] Drive

por Bruno Pedrassani

Confesso que a primeira vez que vi o poster do filme e li a sinopse de Drive, não me interessei. Achei que seria só mais um filminho de ação com carros e mais nada, mas fico feliz que eu estava enganado.

Baseado no romance homônimo de James Sallis, Drive é um filme que vai te marcar de alguma maneira. Pra mim, foi uma excelente experiência como há muito eu não tinha em um filme de “ação/drama”. Aliás, Drive me lembrou muito, seja pela estética ou pela crueza das mortes, o filme Irreversível(Irréversible){{fica aí a dica de outro excelente filme}}.

Drive - É um filme de ação que não é de ação

Ryan Gosling é um motorista, mas está mais pra um piloto mesmo. Ele trabalha como um stuntman de carros(algo como um dublê que faz as cenas de ação com carros) em meio período, é mecânico no resto do dia, e à noite ele de vez em quando trabalha como motorista de fuga. Neste último trabalho, o esquema funciona assim: ele dá cinco minutos pra que quem quer que seja faça o que quiser fazer. Dentro desses cinco minutos, ele é o motorista, e está lá pra qualquer coisa. Se der cinco minutos e os caras não aparecerem de volta pro carro, ele se manda e não tem nada com isso. E ele nunca pega um trabalho duas vezes com a mesma pessoa.

O filme começa mostrando exatamente como funciona esse trabalho noturno do motorista(pois é, ele não tem nome e eu só percebi isso quando vim escrever a resenha). Nos primeiros dez minutos você vê uma fuga em que o motorista já te mostra suas habilidades e a esperteza, mostra que ele é realmente bom mesmo.

Mas se pelo começo da resenha e pelo nome do filme você acha que esta película se trata de mostrar essa vida noturna do motorista, está enganado. Durante a próxima metade da película, a história trata de mostrar e desenvolver os personagens envolvidos ou que irão se envolver de alguma forma com o motorista, seja o dono da mecânica, o gângster ou a mulher por quem o motorista se apaixona, Irene(Carey Mulligan). E só pra açucarar a história, o marido dela está saindo da prisão e voltará pra “casa”.

Só que é na maneira com que a história é contada(além da ambientação), que Drive se destaca. O motorista não é um cara de muitas palavras(lembra muito outro Homem Sem Nome), então a comunicação dele é muito mais visual,  mesmo quando outras pessoas estão conversando com ele. E mais, a trilha sonora do filme é sensacional(não é à toa que foi indicado ao Oscar de melhor edição de som), em que muitas vezes a música que está tocando funciona como a conversa da cena.

Destaque também para as atuações. Oscar Isaac(o marido de Irene) convenceu bem como bandido-tentando-se-livrar-de-uma-enrascada, Carey Mulligan ficou perfeita no papel de Irene, agora Gosling é que virou ator de respeito pra mim. Com pouca fala e muita expressão, em que algumas vezes deixava o motorista parecendo um psicopata, Gosling põe o filme na mochila e o carrega até o final.

Outro destaque de Drive é a crueza com que são realizadas e mostradas as mortes. A cena da cabeça explodindo por uma doze é especialmente sensacional, e nessa ambientação dark meio noir do filme, fica ainda melhor.

Drive pode te lembrar de muitos clássicos do cinema, como os filmes do Tarantino(Pulp Fiction e Death Proof), todos os filmes do Eastwood vivendo o Homem Sem Nome, alguns do David Fincher, filmes independentes como o Irréversible, mas ainda assim – e talvez por tudo isso mesmo – Drive é único.

Preferi não contar muito da história aqui pra que você, caro leitor, tenha a mesma experiência que eu tive ao ver o filme. Pra que você se surpreenda positivamente da mesma maneira que eu me surpreendi a cada passo da história, a cada música encaixada brilhantemente na cena, a cada som de ossos partindo. Por que como eu disse anteriormente, Drive não é um filme com foco na ação de carros, mas sim, é um filme que trata de um cara que vai atrás do que quer a qualquer custo, mas que por acaso era um motorista excelente.

Informações Técnicas:

Título Original: Drive

Título no Brasil: Drive(acho que é esse mesmo)

Direção: Nicolas Winding Refn

Gênero: Ação / Drama

Duração: 98 minutos

Ano de Lançamento: 2011

Origem: EUA

Custo: $15.000.000

Grude: ★★★★½

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fev 23 2012

[Resenha] Precisamos Falar Sobre o Kevin

por Alexandre [Cabeça]

Fim de ano geralmente não consigo aproveitar muita coisa do que passa nos cinemas, que recheiam as salas com seus “filmes família”. Mas aí, vira o ano, enfim é chegado o período “pré-oscar”, com bons filmes à disposição dos que curtem a 7ª arte. Não, Precisamos falar sobre o Kevin não está figurando entre os indicados, mas parecia uma boa pedida pra quem queria ver um bom conflito familiar.


Eva costumava curtir a vida. Era uma aventureira. Até que engravida de Kevin. Logo que o menino vem ao mundo, Eva não parece muito feliz com o fato de ser mãe. Talvez já prevendo que sua rotina seria completamente modificada a ponto de abrir mão daquilo que lhe dava prazer. Mãe de primeira viagem, ouvir o choro do bebê é quase o fim do mundo para ela. Nos primeiros anos de seu filho, a convivência com ele mostra-se um tanto tumultuada. Kevin demonstra ter um temperamento forte e não faz o mínimo esforço pra ser legalzinho com a mãe. Já com o pai é outra coisa. Ele faz que gosta do coroa, enquanto que com a mãe é só indiferença, aumentando ainda mais a sensação de frustração por parte de Eva. Mas alguma coisa impede a mãe de conversar com o pai sobre a máscara que o garoto veste. O comportamento rebelde do menino vai trazendo irritação pra Eva. É quando, numa das travessuras do moleque, ela perde a cabeça e rompe, enfim, a barreira do diálogo e parte pras vias de fato. Parece o divisor de águas.
O menino cresce, ganha uma irmã e continua manifestando sua frieza em pequenos atos de crueldade. E quando ele arquiteta o maior de seus planos, as consequências disso não recaem só em seus ombros. Eva também passa a carregar o fardo pela “negligência” e a se questionar onde a educação e a dedicação dadas a Kevin falharam, fazendo com que o rapaz se tornasse um bom exemplar de monstro.

Curti a trama. O filme é forte e foca bem o drama sentido pela mãe, que está envolvida passivamente num caso que ganha grande repercussão regional. Como a opinião pública trata quem tinha o “dever” de fazer com que seu filho fosse um exemplo de cidadão de bem, mas que não o fez. Seria Kevin um caso curável desde cedo, realmente, ou ele já teria nascido com o gene encapetado e independentemente do meio em que vive ele estaria fadado às práticas do mal? Ah, e Tilda Swinton manda muito bem no papel da mãe transtornada. Sensacional.

Informações
Título no Brasil: Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin)
País de Origem: Reino Unido / EUA
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 112 minutos
Ano de Lançamento: 2011
Direção: Lynne Ramsay

Grude: ★★★★☆

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dez 13 2011

[Resenha] Alexandria – Agora

por Bruno Pedrassani

Então que chegou Netflix no Xbox, e eu decidi testar o serviço. Não, esse não é post patrocinado e nem resenha do Netflix, é só pra falar que o serviço é excelente e que ando assistindo filme feito doido por causa da facilidade do bixo. Além da facilidade, comecei a encontrar muitos filmes que nunca tinha sequer ouvido falar, e mais, filmes bons(independentes) com atores famosos.

Alexandria é um filme espanhol que trata da vida de Hipátia(Rachel Weisz), uma filósofa, astrônoma e matemática que viveu no Egito Romano, entre 355 e 415. O filme já me conquistou na primeira cena, onde Hipátia está dando aula e falando sobre as teorias vigentes na época, como o sistema Ptolomaico, Heliocêntrico e outros.

Agora

Mas não é só de ciência que se trata o filme. Como por todo o curso da história, a ciência sempre está em conflito com a religião, e é esse um dos grandes pontos do filme, o conflito religioso.

À época do filme, o cristianismo havia acabado de se tornar uma religião tolerada em Alexandria, pois antes não era permitida. Assim, havia 3 “tipos” de religião no momento: cristianismo, judaísmo e a cultura greco-romana(que seriam os “pagãos”).  Aqui cabe um adendo que me incomodou um pouco: os cristãos já chamam os outros habitantes de pagãos no filme, mas tenho grandes dúvidas de que o termo fosse usado na época. Fecha adendo.

Então, em meio a esse barril prestes a explodir, Hipátia vive como uma mulher solteira e atéia. Digamos que não é a melhor combinação para a época, e pra dar mais um gosto, um de seus escravos nutre um amor por ela, ficando entre ajudar/amar sua ama, e seguir sua religião cristã.

Rachel Weisz tem uma atuação sólida, mas me incomodou um pouco o fato de que parece que eu já vi ela atuar da mesma maneira. Não está ruim, só está igual, nada novo. Davos, the slavos(vivido por Max Minghella) passa bem o fanatismo religioso e o ódio, enquanto Orestes(Oscar Isaac) vive um típico romano com excelência.

Um grande conhecedor de história da época pode achar várias incongruências no filme, mas acredito que a maioria das pessoas nem deva perceber, o que é bom, porque o filme é bom. Os cenários estão lindíssimos, e a história é excelente. Você percebe que religiões que se dizem ser do amor baseiam-se no ódio, e que provavelmente a intolerância religiosa é uma característica de… 90% das religiões.

É bastante interessante perceber também de porque o cristianismo se alastrou na época, não só baseado nos truques que os “profetas” faziam na época, mas porque era algo que o “povão” precisava.

Como nenhum trabalho de Hipátia sobreviveu ao tempo, pode ser mesmo que nada do que acontece no filme sobre sua vida seja verdadeiro. Mas o conflito religioso, que é o tom da história, qualquer um (não cegado pela fé) vê que é possível, é crível. E isso, faz um grande filme.

Informações Técnicas:

Título original: Agora

Título no Brasil: Alexandria

Direção: Alexandro Amenábar

Gênero: Drama Histórico

Tempo de Duração: 126 minutos

Ano de Lançamento: 2009

País de Origem: Espanha

Custo: $75 milhões

Grude: ★★★★☆

 

 

 

 

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dez 12 2011

[Resenha] Chocolate – Chocolat

por Bruno Pedrassani

Quando um filme tem excelentes atuações, o gênero não importa, e Chocolate está repleto de excelentes atuações, mas vamos começar de onde se deve, que é do começo.

Vianne Rocher(Juliette Binoche) é uma mãe solteira que chega em Lansquenet-sous-Tannes(quero ver quem manja francês aí), uma cidadezinha francesa regida pelo Conde Paul de Reynaud(Alfred Molina), um católico fervoroso que mantém a cidade na palma da mão(de Deus, se quiser).

Como se passa em 1959, só o fato de Vianne ser mãe solteira já é o suficiente pra ela ser um agente do demônio, aliado com seu ateísmo e pronto: prato cheio pra colocar não só o prefeito, mas toda a cidade de pernas pro ar.

Chocolat

Aliás, uma das melhores passagens do filme é quando um grupo de crianças está olhando pra Vianne e falam entre si algo como:

- Soube que ele é atéia?

- Oh meu Deus, não! Que horror! Mas, o que é isso?

Isso resume bem o pensamento cristão(não só da época) de temer o que lhe falam, sem nem saber o que é.

Tão logo Vianne abre a loja de chocolates, a vida das pessoas começa a mudar. Mesmo estando na quaresma, a loja começa a ter alguns clientes fiéis, e aqui vemos vários relacionamentos surgirem, várias personalidades tomarem forma.

Johnny Depp tem uma participação modesta, mas num papel que lhe cai bem(o do cara estranho, como sempre). Judi Dench vivendo a velha ranzinza que aluga o local pra Vienne está sensacional, bem como a própria Juliette Binoche(e ambas foram indicadas ao Oscar nesse filme, Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante). Destaco ainda a Lena Olin, que vive uma mulher reprimida pelo violento marido, que está muito bem, mas a atuação que realmente me chamou a atenção foi da pequena Victoire Thivisol, vivendo a filha de Vienne, Anouk. Ela atuou muito bem mesmo, e teve um papel crucial em um dos momentos mais críticos do filme. Ah, sem esquecer do sempre bom, Alfred Molina, que também mandou muito bem.

Você pode olhar o filme como uma boa crítica aos costumes da época, e também como uma crítica ao modo “ovelha” de pensar, em que só se faz o que é mandado, sem sequer questionar se está certo ou errado. No final das contas, Chocolate é um conto de fadas com direito a vilão, mocinho e moral da história. E isso não é ruim.

Informações Técnicas:

Título original: Chocolat

Título no Brasil: Chocolate

Direção: Lasse Hallström

Gênero: Drama

Tempo de Duração: 121 minutos

Ano de Lançamento: 2000

País de Origem: EUA / Reino Unido

Custo: $25 milhões

Grude: ★★★½☆

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