Arquivo Drama | Chiclete na Poltrona
dez 13 2011

[Resenha] Alexandria – Agora

por Bruno Pedrassani

Então que chegou Netflix no Xbox, e eu decidi testar o serviço. Não, esse não é post patrocinado e nem resenha do Netflix, é só pra falar que o serviço é excelente e que ando assistindo filme feito doido por causa da facilidade do bixo. Além da facilidade, comecei a encontrar muitos filmes que nunca tinha sequer ouvido falar, e mais, filmes bons(independentes) com atores famosos.

Alexandria é um filme espanhol que trata da vida de Hipátia(Rachel Weisz), uma filósofa, astrônoma e matemática que viveu no Egito Romano, entre 355 e 415. O filme já me conquistou na primeira cena, onde Hipátia está dando aula e falando sobre as teorias vigentes na época, como o sistema Ptolomaico, Heliocêntrico e outros.

Agora

Mas não é só de ciência que se trata o filme. Como por todo o curso da história, a ciência sempre está em conflito com a religião, e é esse um dos grandes pontos do filme, o conflito religioso.

À época do filme, o cristianismo havia acabado de se tornar uma religião tolerada em Alexandria, pois antes não era permitida. Assim, havia 3 “tipos” de religião no momento: cristianismo, judaísmo e a cultura greco-romana(que seriam os “pagãos”).  Aqui cabe um adendo que me incomodou um pouco: os cristãos já chamam os outros habitantes de pagãos no filme, mas tenho grandes dúvidas de que o termo fosse usado na época. Fecha adendo.

Então, em meio a esse barril prestes a explodir, Hipátia vive como uma mulher solteira e atéia. Digamos que não é a melhor combinação para a época, e pra dar mais um gosto, um de seus escravos nutre um amor por ela, ficando entre ajudar/amar sua ama, e seguir sua religião cristã.

Rachel Weisz tem uma atuação sólida, mas me incomodou um pouco o fato de que parece que eu já vi ela atuar da mesma maneira. Não está ruim, só está igual, nada novo. Davos, the slavos(vivido por Max Minghella) passa bem o fanatismo religioso e o ódio, enquanto Orestes(Oscar Isaac) vive um típico romano com excelência.

Um grande conhecedor de história da época pode achar várias incongruências no filme, mas acredito que a maioria das pessoas nem deva perceber, o que é bom, porque o filme é bom. Os cenários estão lindíssimos, e a história é excelente. Você percebe que religiões que se dizem ser do amor baseiam-se no ódio, e que provavelmente a intolerância religiosa é uma característica de… 90% das religiões.

É bastante interessante perceber também de porque o cristianismo se alastrou na época, não só baseado nos truques que os “profetas” faziam na época, mas porque era algo que o “povão” precisava.

Como nenhum trabalho de Hipátia sobreviveu ao tempo, pode ser mesmo que nada do que acontece no filme sobre sua vida seja verdadeiro. Mas o conflito religioso, que é o tom da história, qualquer um (não cegado pela fé) vê que é possível, é crível. E isso, faz um grande filme.

Informações Técnicas:

Título original: Agora

Título no Brasil: Alexandria

Direção: Alexandro Amenábar

Gênero: Drama Histórico

Tempo de Duração: 126 minutos

Ano de Lançamento: 2009

País de Origem: Espanha

Custo: $75 milhões

Grude: ★★★★☆

 

 

 

 

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dez 12 2011

[Resenha] Chocolate – Chocolat

por Bruno Pedrassani

Quando um filme tem excelentes atuações, o gênero não importa, e Chocolate está repleto de excelentes atuações, mas vamos começar de onde se deve, que é do começo.

Vianne Rocher(Juliette Binoche) é uma mãe solteira que chega em Lansquenet-sous-Tannes(quero ver quem manja francês aí), uma cidadezinha francesa regida pelo Conde Paul de Reynaud(Alfred Molina), um católico fervoroso que mantém a cidade na palma da mão(de Deus, se quiser).

Como se passa em 1959, só o fato de Vianne ser mãe solteira já é o suficiente pra ela ser um agente do demônio, aliado com seu ateísmo e pronto: prato cheio pra colocar não só o prefeito, mas toda a cidade de pernas pro ar.

Chocolat

Aliás, uma das melhores passagens do filme é quando um grupo de crianças está olhando pra Vianne e falam entre si algo como:

- Soube que ele é atéia?

- Oh meu Deus, não! Que horror! Mas, o que é isso?

Isso resume bem o pensamento cristão(não só da época) de temer o que lhe falam, sem nem saber o que é.

Tão logo Vianne abre a loja de chocolates, a vida das pessoas começa a mudar. Mesmo estando na quaresma, a loja começa a ter alguns clientes fiéis, e aqui vemos vários relacionamentos surgirem, várias personalidades tomarem forma.

Johnny Depp tem uma participação modesta, mas num papel que lhe cai bem(o do cara estranho, como sempre). Judi Dench vivendo a velha ranzinza que aluga o local pra Vienne está sensacional, bem como a própria Juliette Binoche(e ambas foram indicadas ao Oscar nesse filme, Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante). Destaco ainda a Lena Olin, que vive uma mulher reprimida pelo violento marido, que está muito bem, mas a atuação que realmente me chamou a atenção foi da pequena Victoire Thivisol, vivendo a filha de Vienne, Anouk. Ela atuou muito bem mesmo, e teve um papel crucial em um dos momentos mais críticos do filme. Ah, sem esquecer do sempre bom, Alfred Molina, que também mandou muito bem.

Você pode olhar o filme como uma boa crítica aos costumes da época, e também como uma crítica ao modo “ovelha” de pensar, em que só se faz o que é mandado, sem sequer questionar se está certo ou errado. No final das contas, Chocolate é um conto de fadas com direito a vilão, mocinho e moral da história. E isso não é ruim.

Informações Técnicas:

Título original: Chocolat

Título no Brasil: Chocolate

Direção: Lasse Hallström

Gênero: Drama

Tempo de Duração: 121 minutos

Ano de Lançamento: 2000

País de Origem: EUA / Reino Unido

Custo: $25 milhões

Grude: ★★★½☆

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nov 24 2011

[Resenha] O Vencedor

por Alexandre [Cabeça]

Filmes de luta sempre me interessaram. Desde pivete, quando assisti O Campeão. Mas não filmes de luta cujo gênero seja ação. Curto filmes de luta que se enquadrem como drama. A carga emocional, o terror psicológico, o peso que o personagem carrega quando entra no ringue, isso é o que eu tô a fim de saber. O combate em si é consequência. A bola dessa vez foi O Vencedor.

O filme foca Micky Ward, uma promessa do mundo do boxe, e seu irmão mais velho, Dicky Eklund, ex-lutador e lenda do esporte – pelo menos no bairro em que mora. Dicky teve como ponto alto da carreira uma luta memorável contra a fera da categoria, o imbatível Sugar Ray Leonard. Com a experiência adquirida e um talento nato, Dicky leva a vida hoje treinando seu caçula. Tudo indica que será uma parceria de sucesso já que ele manja das coisas e seu irmão tem muito potencial. Tudo bem se não houvesse no caminho dele um obstáculo gigante: o crack. Dicky é viciadaço e quando a droga entrou em sua vida o escravizou a ponto de abreviar sua carreira. Agora Dicky tem a chance de se redimir, transferindo a responsabilidade de ser um campeão pros ombros do seu irmão.
Já Micky tem a vida guiada por sua família. Em sua volta, muita gente palpiteira. Mãe, pai, irmão, amigos, duzentas irmãs. E no meio desse redemoinho, ele vem sendo utilizado somente como escada pra lutadores melhores. Sua mãe, que também é sua empresária, juntamente com seu irmão só o colocam em lutas ruins, pensando mais na grana que na integridade física dele. Pouco se preocupam se o oponente é muito maior ou mais forte. Ao conhecer Charlene, Micky passa a repensar todo aquele aparato que está ao seu redor. A moça acredita que a presença da mãe gananciosa e do irmão drogado só irão atrapalhar sua evolução na caminhada a um futuro melhor. Só que para Micky lutar bem ele precisa da presença plena de Dicky, não só nos treinamentos como no seu corner na hora das lutas. O problema é a renúncia. Dicky renunciar as drogas pra ajudar seu irmão a um dia chegar ao título ou Micky renunciar a presença do seu irmão e andar com suas próprias pernas.

Excelente filme, que se baseia em uma história real. Aliás, não sei se eu achei o filme tão excelente assim. Na verdade, a interpretação do Christian Bale é o diferencial. O cara destroi. Não à toa ele ganhou Oscar e Globo de Ouro por isso. Porque uma coisa é uma atuação em que o personagem não é exigido, em que é só ler o texto, simular uma caretinha aqui, um chorinho acolá. Outra é entrar no personagem. O cacoete. Isso Bale faz muito bem. No fim do filme mostra um trecho de uma gravação com Dicky Eklund real e é possível perceber a semelhança dos trejeitos da sua figura com a fictícia. Gostando ou não gostando de lutas é um filme recomendado a todos que queiram ver uma bonita, porém sofrida, história de vida.

Informações:
Título no Brasil:  O Vencedor (The Fighter)
País de Origem:  EUA
Gênero:  Drama
Tempo de Duração: 116 minutos
Ano de Lançamento:  2010
Direção:  David O. Russell

Grude: ★★★★½

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nov 18 2011

[Resenha] A Pele que Habito

por Alexandre [Cabeça]

Não sou expert em Almodóvar, mas da meia dúzia de seus filmes que assisti, sempre saí com uma boa impressão. O modo como ele amarra a trama, colocando os personagens em situações cômicas, às vezes surreais, pra contrastar com o clima pesado de alguma tragédia que acomete o/a protagonista, trazendo o desfecho surpreendente. Bons ingredientes que me levaram ao cinema essa semana pra conferir qual a faceta da vez vinda das mãos desse maluco. Falo de A Pele Que Habito.

O filme conta os eventos que aconteceram (ou acontecerão, já que boa parte deles se passa em 2012[!]) com o cirurgião plástico, Robert Ledgard. Há alguns anos, sua esposa teve o corpo completamente queimado após envolver-se em um acidente de carro. Robert ficou meio puto, pois como profissional da área pouco pode fazer para contornar o problema estético de sua senhora. Após o ocorrido, ela passava os dias num quarto, jogada à escuridão. Num belo dia, ao se deixar levar pela música vinda de seu jardim, ela resolve finalmente abrir a janela e dar um salve ao mundo. Eis que a primeira tragédia acontece. O fato abalou a todos. Principalmente Norma, filha do casal, que presenciou o ocorrido. Passa o tempo e Norma, que agora vive à base de medicamentos controlados e afastada da sociedade, tem a oportunidade de, também, dar seu salve ao mundo. Ao ser convidada pra festa de amigos de seu pai, acreditando (ou não) que todo rapaz é boa gente, Norma se deixa levar e… eis que a segunda tragédia acontece. Robert fica transtornado. Não sabe o que fazer. Ou melhor, sabe. E faz. E quando a terceira tragédia é, enfim, anunciada vem a gota da d’água. É quando Robert mostra “a que veio”, vamos assim dizer.
Passa o tempo e Robert hoje vive realizando experiências não muito ortodoxas na tentativa de criar um tecido, uma pele que seja mais resistente que a pele humana. Para isso, ele mantém enclausurada em sua casa/clínica, Vera, uma paciente com quem vive uma relação amor/ódio. Seria Robert um psicopata nato? Ou a situação em que ele foi colocado moldou suas atitudes, a ponto de transformá-lo num monstro, facilmente comparável por aí ao Dr. Jekyll/Mr. Hyde?

Bom filme. Pelo pouco que conheço de Almodóvar, nele encontramos os mesmos elementos que fizeram esse cara ser tão idolatrado e odiado. Ao passo que as situações parecem longe da realidade, consigo enxergar o contrário, de que nada do que é retratado ali é impossível  e que é questão de tempo para ouvirmos notícias de casos semelhantes. Alguns podem achar a história bizarra, que é coisa de maluco. Mas é com malucos como ele que o cinema foge da mesmice de sempre, com suas fórmulas copiadas. Que venham os “Almodóvar’s”!

Informações:
Título no Brasil:  A Pele Que Habito (La piel que habito)
País de Origem:  Espanha
Gênero:  Drama
Tempo de Duração: 117 minutos
Ano de Lançamento:  2011
Direção:  Pedro Almodóvar

Grude: ★★★½☆

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nov 3 2011

[Resenha] O Palhaço

por Ricardo Lopes

Vocês já pararam pra pensar quando foi a última vez que vocês saíram de casa pra ir em algum circo? Será que podemos considerar que o velho picadeiro está morrendo? Pergunto isso pois eu, particularmente acho que existe uma diferença ENORME entre aquele circo que conhecemos para com um cirque du soleil (esses “circos” mais mordenos).

O Palhaço resgata a magia que está na simplicidade das apresentações dos palhaços, o sorriso da criança ao ver a dançarina com a espada, o “conjunto” (como diria meu pai) formado por músicos improvisados, enfim… o circo como muitos conhecem.

Selton Mello é o palhaço Pangaré que está passando por um momento difícil na carreira sofrida de palhaço, ele anda meio triste e calado pois apesar de fazer os outros rirem ele há muito tempo não sabe o que é sorrir de verdade. Ao seu lado está o palhaço “Puro Sangue”, seu pai, como patriarca da trupe e responsável por todos no espetáculo. Um velho calejado de tanto trabalho que até mesmo em sua apresentação sente dificuldades em falar, mas sem deixar as piadas de lado. O que vemos neste filme é uma “crise familiar”, que apesar de muitos não demonstrarem problemas, tudo fica carregado nas costas de Benjamim (o palhaço Pangaré, Selton Mello) e refletido através dele estes problemas cotidianos.

Conversando com um amigo depois do filme vimos o quanto algo que parece ser besta possa influenciar na cabeça de alguém “perturbado”. Como é o caso do ventilador que Benjamim queria comprar para Lola (namorada de seu pai, dançarina do circo). Perseverança e força de vontade vocês vão encontrar aqui também.

Vi o filme com um laço familiar muito forte, aparentemente fraco mas que no decorrer da trama se intensifica e esbanja emoção na platéia. Selton Mello mais uma vez consegue transmitir, através de seu personagem, uma simplicidade carismática muito forte e faz com que ao término da sessão você diga que, NO MÍNIMO, este seja um bom filme.

Pangaré

Um ponto negativo no geral é que o filme é um pouco parado, fazendo com que quem tá assistindo fique cansado, apesar que em meio a paradeira inicial nós sejamos surpreendidos por uma piada ou pelas feições dos personagem quebrando o gelo e fazendo a gente sorrir. Acho que no geral foi a única coisa negativa que vi no filme. Não fique com um pé atrás, o filme é muito bom. Vá ao cinema e prestigie esta obra nacional e essa linda homenagem a pessoas que trabalham para nos fazerem sorrir. Vale muito a pena.

Outra coisa, a trilha sonora é genial ! Perfeita.

Informações técnicas:

Título: O Palhaço

Direção: Selton Mello

Gênero: Comédia (caberia um drama, fácil)

Tempo de Duração: 90 minutos

Ano de Lançamento: 2011

Grude: ★★★★☆ Ganhou 0,5 chiclete só pela bandeira do tricolor na mesa do delegado.

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