Arquivo Documentário | Chiclete na Poltrona
mar 21 2011

Bestei… Ops ! Jackass 3D

por Ricardo Lopes

Seguindo o embalo de fim de carnaval, nada melhor que um filme totalmente sem conteúdo. Como diria o camarada B. Pedrassani: “Quanto pior, melhor”. Então vamos curtir o Jackass 3D.

A turma de amigos do Johnny Knoxville está novamente reunida pra APRONTAR DIVERSAS CONFUSÕES. O filme segue a mesma linha dos outros e do próprio seriado (cancelado) que passava na MTv. Muita nojeira, galera se quebrando com acobracias loucas e tudo pra trazer a diversão para as famílias do mundo (HAHAHAHA). É incrível como tanta besteira se torna engraçado, claro que tem gente que não acha a menor graça mas porra… Dúvido este filme não vá tirar uma boa gargalhada de vocês.

Jackass 3D além de inovar e entrar no mundo das três dimensões, traz novamente os malucos: Johnny Knoxville, Bam Margera, Chris Pontius e o Steve-fucking-O (sensacional este cidadão hehe).

Bom, se vocês querem apenas achar graça com qualquer merda coisa, assista Jackass 3D.

Informações:

Título: Jackass 3D

Direção: Jeff Tremaine

Duração: 86min

Gênero: Documentário? Isso é uma grande comédia.

Ano de Lançamento: 2010

Grude: ★★★★½

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jan 20 2011

Olhar Estrangeiro

por Alexandre [Cabeça]

Salve, Chicletada!

Há uns quatro anos assisti a um documentário que apresentava o nosso país sob a forma de um personagem e como ele era vendido lá fora. Reassisti recentemente pra relembrar e resenhar por essas poltronas chicletadas. Trata-se de Olhar Estrangeiro.


O filme é idealizado pela cineasta Lúcia Murat que, cansada da maneira como a indústria cultural promove o Brasil no exterior da maneira mais ignorantemente possível, resolveu ir atrás daqueles que de alguma forma contribuíram para a propagação da imagem estereotipada do nosso país e colocá-los contra a parede. Ela não estava interessada em mostrar produções estrangeiras em que brasileiros estavam por trás das câmeras, e sim de filmes estrangeiros que tratam ou foram filmados aqui. Quem criou esse personagem? Por que até hoje, com o mundo todo tendo acesso aos mais diversos meios de comunicação, seus clichês mais ridículos continuam sendo mais representativos e reconhecidos do que sua própria essência? Lúcia entrevistou diretores, atores, produtores e roteiristas a fim de saber o que os levou a transmitir um retrato caricaturado do país. O filme vai alternando entre o depoimento dos envolvidos, entrevista de pessoas comuns, e trechos de filmes em que o país é “ridicularizado”. Sim, em alguns casos é ridicularizado mesmo. Fosse somente nos apresentar como o recanto do samba, da bunda e da caipirinha, vá lá, mas deturpar a realidade, criando um mundo bizarro, é ruim de engolir. Macacos na praia, cerimônias exóticas em cada esquina e cobras gigantescas engolindo seres humanos são apenas algumas das atrocidades as quais o Brasil é submetido. Lúcia consegue, por vezes, deixar os entrevistados constrangidos ao confrontar o que eles transmitiram nas telas de cinema com a realidade. Engana-se quem acha que isso é por falta de informação sobre nossa cultura, somente. Alguns dos envolvidos, mesmo estando aqui, em contato com nossos valores e constatando não haver aquela exacerbação outrora concebida, insistiram em retratar aquele país do imaginário coletivo. Em um ou outro caso até contra sua vontade, é fato. Sim, pois não são os executores da obra os únicos culpados. Outros vilões da estória são as distribuidoras, que é quem banca a produção. Para elas, retratar um Brasil diferente daquele que o mundo já conhece não é rentável, e ai daquele que ousar contrariá-las! Nós, filhos da terra, também temos nossa parcela de responsabilidade, pois, segundo a diretora “…(é o olhar) que nós, brasileiros, lá fora, muitas vezes ajudamos a construir, pois é mais fácil se submeter a um desejo do que enfrentá-lo apresentando realidades mais complexas”.

Em Olhar Estrangeiro, percebemos a dimensão que uma ideia mal-retratada pode adquirir no conceito alheio. Por isso, não condeno os que, por falta de conhecimento, criaram e ajudaram a popularizar o Brasil dos Gringos (livro de Tunico Amancio, utilizado por Lúcia em seu estudo). Afinal, quem aqui nunca concebeu uma ideia sobre um povo, uma cultura, aqui de dentro do país mesmo, baseado no disse-me-disse alheio?

Informações:
Título Original: Olhar Estrangeiro
País de Origem: Brasil
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 70 minutos
Ano de Lançamento: 2006
Direção: Lúcia Murat

Grude: ★★★★½

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dez 23 2010

Olhos Azuis

por Alexandre [Cabeça]

Outro dia estávamos no trabalho discutindo sobre racismo. No meio da discussão, meu colega Lázaro comentou sobre um filme que ele havia assistido abordando o assunto, despertando meu interesse. Trata-se do documentário Olhos Azuis.


O filme é idealizado pela educadora americana Jane Elliot e visa discutir a discriminação, seja ela sexual, homofóbica, religiosa, etc., fazendo com que pessoas que sofrem menos os efeitos do preconceito passem algumas horas convivendo com a indiferença e todos os estereótipos negativos, bastando, para isso, que elas tenham vindo ao mundo com uma característica física não escolhida por elas: olhos azuis. Explico. No início do teste, os voluntários preenchem uma ficha e são direcionados para uma ou outra sala de acordo com a resposta para a pergunta “cor dos olhos”. Se indicado como “azul”, além de o cidadão ir para uma sala separada, sem muita estrutura física para comportar o contingente, ele recebe uma espécie de lenço que fica amarrado ao pescoço. O lenço serve para que seja mais fácil identificar visualmente aqueles que serão vítimas da indiferença alheia. As pessoas que foram para a outra sala recebem orientações de como tratar os azulados. Após isso, os dois grupos vão para uma mesma sala, onde os azulados aos poucos vão sendo ridicularizados pela professora, gerando um clima de instabilidade na turma. A cada situação criada, a sensação de inferiorização e fragilidade vai tomando conta dos membros dos azulados, surgindo novos debates com todos os envolvidos. E é nos debates que cada um vai aprendendo a se conhecer e a entender a situação do próximo.

O filme faz alternância entre o estudo e depoimentos da professora e de ex-alunos dela, que participaram da experiência na infância (a primeira experiência foi registrada no documentário Eye of the Storm, de 1970, com crianças da 3ª série). Em um dos depoimentos, percebe-se a coragem e a ousadia de Jane, quando ela diz que, ao lutar contra a discriminação desde cedo, sentiu na pele o que é ser discriminado, mesmo sendo branca, de olhos claros. Simplesmente porque a sociedade não aceitava que ela apoiasse e se esforçasse para fazer valer o respeito pelos direitos dos marginalizados. Por conta disso, ela vivia recebendo ameaça por cartas. Seus pais perderam clientela no restaurante que tinham, o que os levou à falência. Seus filhos foram perseguidos e humilhados por parte de seus colegas de escola. Tudo em busca de igualdade. O filme abre nossos olhos. Nos faz pensar que também fazemos parte da fatia preconceituosa da sociedade. Seja pela ação, seja pela omissão.

Informações:
Título no Brasil: Olhos Azuis (veiculado pelo canal GNT)
Título Original: Blue Eyed
País de Origem: Estados Unidos
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 90 minutos
Ano de Lançamento: 1996
Direção: Bertram Verhaag

Grude: ★★★★½

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abr 17 2010

Facing Ali

por Alexandre [Cabeça]
Uepa! Tamo na área pra chicletear.

O filme de hoje é sobre um personagem que todos já conhecem, ou pelo menos já ouviram falar: Cassius “Muhammad Ali” Clay. Eu nunca tinha assistido ou lido nada específico sobre a carreira do cara. Tinha duas opções, ver “Ali”, com o Will Smith, ou ver o documentário “Facing Ali”. Resolvi começar pelo documentário.

Facing Ali

Por quê? “Facing Ali” é narrado sob a perspectiva daqueles que ousaram enfrentar a lenda do boxe. Fiquei curioso pra ver alguns dos grandes nomes do boxe, como Joe Frazier, George “Grill” Foreman e Larry Holmes, relatando suas impressões em seus contatos com Ali. E assistindo a narrativa dos campeões cri que, realmente, o homem era foda pra caralho um excelente boxeador.

Já no começo, o filme nos apresenta um pouco da personalidade de Ali, quando ele diz que é o melhor do mundo, o maior de todos, que vai se tornar campeão do mundo. Aí você pensa, todo boxeador, ou melhor, todo atleta que se acha o tampa de crush é bocudão mesmo, papudão. E ele poderia ter sido mais um a falar e ficar somente no discurso. Mas, não. Ele vai lá e faz. O cara não tem modéstia alguma. Fala, dança no ringue, tira onda. Depois percebe-se que muito daquele comportamento é só para tentar desestabilizar emocionalmente seus adversários. Pra deixar os caras putos.

Pelo depoimento dos caras dá pra entender que não são só os títulos que fazem Ali ser considerado o melhor de todos os tempos. A atitude, dentro e fora do seu metier, traduz o espírito que ele possui. Cada um dos adversários tem seus motivos pra considerá-lo fodástico. Há os que o venerem simplesmente por ter tido a honra de levar uma sova e como isso mudou suas vidas; outros por que travaram combates difíceis e inesquecíveis; outros por não terem levado o golpe de misericórdia ao fim da disputa, quando já se mostravam completamente combalidos. Essa última situação ocorreu com George Foreman, numa das melhores lutas de Ali. Vale mencionar a diferença de 7 anos entre os dois e a excelente forma física de Foreman nessa época.

Por tudo o que fez, Muhammad Ali continua sendo forte referência no esporte. O triste é saber que ele hoje não pode levar uma vida normal e usufruir de tudo o que conquistou durante sua carreira de lutador.

Surpresa¹ foi saber do confronto entre Ali e Foreman. Imaginava os dois em épocas diferentes.
Surpresa² foi saber que Don King, desde de meados de 1974, já ganhava dinheiro promovendo luta de boxe.

Informações:
Título no Brasil:
Título Original: Facing Ali
Direção: Pete McCormack
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 100 minutos
Ano de Lançamento: 2009

Grude: ★★★½☆

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