Arquivo Autorais | Chiclete na Poltrona
out 16 2012

Não estrague a sua obra!

por Bruno Pedrassani

De tempos em tempos somos agraciados com pérolas filmísticas que ficam para a posteridade da sétima arte. Muitas vezes tais filmes nem foram muito bem de bilheteria quando lançados – talvez pela falta de maturidade da população da época(ou não) – mas ganham status “cult” anos depois.

Normalmente essas obras-primas atingem tal status porque, além de serem muito bem feitas, trazem questionamentos, dúvidas, respostas, perguntas, mas por outras vezes são simplesmente uma excelente diversão.

Posso colocar na categoria acima grandes clássicos como Indiana Jones, Jurassic Park, 2001: Uma Odisséia no Espaço, Laranja Mecânica, Alien: O Oitavo Passageiro, Blade Runner, Cidadão Kane, Senhor dos Anéis. Isso só pra citar alguns que tenho em casa.

Quando o filme sai e já faz sucesso, normalmente a laranja é espremida mais um pouco e temos continuações: Alien teve várias, Indiana Jones também. Mas há casos como o do Blade Runner em que ele não fez sucesso em sua época, mas sim, uma década mais tarde pelo menos. Continuações – quando não muito bem planejadas – é que são o problema.

A trilogia original de Star Wars é sensacional. Aí temos a porcaria da segunda trilogia. Jogos Mortais começou muito bem, deu uma caída no segundo filme, se recuperou no terceiro e aí só  Odin sabe o que aconteceu nos outros.

Agora temos o maior exemplo de como estragar uma obra clássica, um marco do cinema, somente com uma declaração. Senhoras, senhores e senhoritas, com vocês, Ridley Scott sobre a continuação de Blade Runner:

“Não é um boato. Está acontecendo. Com Harrison Ford? Eu ainda não sei. Ele era um Nexus-6, afinal, então não sabemos quanto tempo ele pode viver. Isso é tudo que posso dizer nesse momento”.

O cara simplesmente ESTRAGOU, ESTRAÇALHOU, ESTUPROU, LOBOTOMIZOU, SODOMIZOU a película 1982. Pra quem não sabe, uma das grandes questões do filme é que o caçador de andróides, Deckard(vivido por Harrison Ford), em sua busca, acaba ficando em dúvida de sua própria existência, se ele mesmo não é um andróide. Várias passagens do filme ora dão a entender que sim, ora que não, e o final não é conclusivo, e é exatamente por isso que o filme é um clássico(claro, além das atuações e frases de efeito revividas até hoje). Lembro até que o jogo pra PC do Blade Runner era muito bem feito e trazia uns 8 finais diferentes, em que você poderia ser ou não um andróide, dependendo das respostas durante o jogo. Aí vem esse velho gagá e resolve estragar tudo, TUDO, dizendo que Deckard era um andróide. Ah, por favor. Pra que? Quer fazer uma continuação, faça, mas não OBLITERE sua obra com uma declaração dessa. 

Oh god, o que eu fiz?

É nessas horas que eu preferia que todos esquecessem dos clássicos e só fizessem obras novas…

fonte: [Omelete]

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out 13 2011

Como você escolhe seus filmes?

por Bruno Pedrassani

Vivendo em tempos onde Hollywood lança filme atrás de filme, explorando franquias até a última gota, criando besteiróus(ou seria besteiroles? ou besteiróis?) a cada American qualquer-coisa que consigam, remakes de filmes lançados a menos de 5 anos, reboot de franquias, chupinhagem de boas histórias de quadrinhos e ainda, assassinato de histórias de jogos de vídeo-games, eu pergunto: como você escolhe seus filmes? Ou você simplesmente vê o que passa na sessão da tarde?

Isso que citei somente filmes que saem da gigante norte-americana. Temos ainda filmes alternativos, de baixo orçamento, filmes de Bollywood, enfim, uma infinidade de películas. Existem muito mais horas de filmes gravados do que é possível que você assista durante uma vida, e sendo assim, é necessário escolher o que você vê – obviamente no caso de que você goste de filmes como este humilde chicleteiro.

Há uma regra-senso-comum que quase sempre funciona na escolha de um bom filme: o elenco. Eu digo que quase funciona porque ela já é tão senso comum que as produtoras se aproveitam disso pra promover filmes porcaria. Mais ou menos no estilo: se tem o Dustin Hoffman no elenco, filme ruim não deve ser. Normalmente é uma boa regra se você conhece o elenco, ou o ator/atriz predileto, mas é claro que até uma estrela cinematográfica pode fazer uma escolha ruim. Acontece, Nicholas Cage que o diga.

Mas e quando você não conhece pessoa alguma do elenco? Não tem como usar a primeira regra. Então, partimos pra segunda regra: o diretor. Nesse ponto mais da metade da população cai fora, porque não são todos que percebem quem está na direção, mas é algo importantíssimo. Se você conhecer a obra de tal diretor, provavelmente ele não vai te decepcionar.

Aqui a coisa começa a ficar mais obscura. Chuto pelo sistema chicleteiro de estatísticas e grudes aleatórios, que 90% da população escolhe(quando escolhe) seus filmes por essas duas primeiras regras, ou por indicação de amigos/parentes/conhecidos/primo da vizinha.

Só que há outros indicadores de que um filme pode ser bom. Produtor é um exemplo. Vou dar fato: sabe o filme A Garota Da Capa Vermelha, que num primeiro olhar parece uma bomba por ser dirigido pela mesma diretora de Crepúsculo? Então, não é um filme ruim. Eu decidi ver o filme porque o produtor executivo é Leonardo DiCaprio, que é extremamente competente.

É claro que de vez em quando você tem que arriscar, pois não há como conhecer todo mundo na indústria, e há de se dar chance a novas promessas.

Por último há ainda a opção de ler críticas e resenhas – o que dá mais trabalho, diga-se de passagem. Mas eu não digo crítica qualquer, porque senão você pode cair na cilada(é uma bilada, cino!) de pegar um crítico Milton Neves. Falo de uma crítica/resenha que te dê direções se você vai gostar ou não do filme, que não seja uma tentativa imparcial. É o que tentamos fazer aqui no chiclete, mas esse não é um texto propaganda(o chiclete nem vai me pagar nada mesmo :P ). Seja no chiclete, no Omelete, no MRG ou Cinema com Rapadura, o que importa é se você confia em quem está falando, ou se, no mínimo, sabe escutar uma opinião contrária e mesmo assim definir se serve ou não pra você.

É claro que esse não é um texto definitivo e muito menos serve pra 100% do filmes, mas garanto que com um pouco de cuidado, a qualidade do que você assiste vai melhorar assustadoramente. Pra você, que é o que interessa.

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