Arquivo Ação | Chiclete na Poltrona
fev 29 2012

[Resenha] Drive

por Bruno Pedrassani

Confesso que a primeira vez que vi o poster do filme e li a sinopse de Drive, não me interessei. Achei que seria só mais um filminho de ação com carros e mais nada, mas fico feliz que eu estava enganado.

Baseado no romance homônimo de James Sallis, Drive é um filme que vai te marcar de alguma maneira. Pra mim, foi uma excelente experiência como há muito eu não tinha em um filme de “ação/drama”. Aliás, Drive me lembrou muito, seja pela estética ou pela crueza das mortes, o filme Irreversível(Irréversible){{fica aí a dica de outro excelente filme}}.

Drive - É um filme de ação que não é de ação

Ryan Gosling é um motorista, mas está mais pra um piloto mesmo. Ele trabalha como um stuntman de carros(algo como um dublê que faz as cenas de ação com carros) em meio período, é mecânico no resto do dia, e à noite ele de vez em quando trabalha como motorista de fuga. Neste último trabalho, o esquema funciona assim: ele dá cinco minutos pra que quem quer que seja faça o que quiser fazer. Dentro desses cinco minutos, ele é o motorista, e está lá pra qualquer coisa. Se der cinco minutos e os caras não aparecerem de volta pro carro, ele se manda e não tem nada com isso. E ele nunca pega um trabalho duas vezes com a mesma pessoa.

O filme começa mostrando exatamente como funciona esse trabalho noturno do motorista(pois é, ele não tem nome e eu só percebi isso quando vim escrever a resenha). Nos primeiros dez minutos você vê uma fuga em que o motorista já te mostra suas habilidades e a esperteza, mostra que ele é realmente bom mesmo.

Mas se pelo começo da resenha e pelo nome do filme você acha que esta película se trata de mostrar essa vida noturna do motorista, está enganado. Durante a próxima metade da película, a história trata de mostrar e desenvolver os personagens envolvidos ou que irão se envolver de alguma forma com o motorista, seja o dono da mecânica, o gângster ou a mulher por quem o motorista se apaixona, Irene(Carey Mulligan). E só pra açucarar a história, o marido dela está saindo da prisão e voltará pra “casa”.

Só que é na maneira com que a história é contada(além da ambientação), que Drive se destaca. O motorista não é um cara de muitas palavras(lembra muito outro Homem Sem Nome), então a comunicação dele é muito mais visual,  mesmo quando outras pessoas estão conversando com ele. E mais, a trilha sonora do filme é sensacional(não é à toa que foi indicado ao Oscar de melhor edição de som), em que muitas vezes a música que está tocando funciona como a conversa da cena.

Destaque também para as atuações. Oscar Isaac(o marido de Irene) convenceu bem como bandido-tentando-se-livrar-de-uma-enrascada, Carey Mulligan ficou perfeita no papel de Irene, agora Gosling é que virou ator de respeito pra mim. Com pouca fala e muita expressão, em que algumas vezes deixava o motorista parecendo um psicopata, Gosling põe o filme na mochila e o carrega até o final.

Outro destaque de Drive é a crueza com que são realizadas e mostradas as mortes. A cena da cabeça explodindo por uma doze é especialmente sensacional, e nessa ambientação dark meio noir do filme, fica ainda melhor.

Drive pode te lembrar de muitos clássicos do cinema, como os filmes do Tarantino(Pulp Fiction e Death Proof), todos os filmes do Eastwood vivendo o Homem Sem Nome, alguns do David Fincher, filmes independentes como o Irréversible, mas ainda assim – e talvez por tudo isso mesmo – Drive é único.

Preferi não contar muito da história aqui pra que você, caro leitor, tenha a mesma experiência que eu tive ao ver o filme. Pra que você se surpreenda positivamente da mesma maneira que eu me surpreendi a cada passo da história, a cada música encaixada brilhantemente na cena, a cada som de ossos partindo. Por que como eu disse anteriormente, Drive não é um filme com foco na ação de carros, mas sim, é um filme que trata de um cara que vai atrás do que quer a qualquer custo, mas que por acaso era um motorista excelente.

Informações Técnicas:

Título Original: Drive

Título no Brasil: Drive(acho que é esse mesmo)

Direção: Nicolas Winding Refn

Gênero: Ação / Drama

Duração: 98 minutos

Ano de Lançamento: 2011

Origem: EUA

Custo: $15.000.000

Grude: ★★★★½

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jan 25 2012

[Rebobinando] A Balada Do Pistoleiro – Desperado

por Bruno Pedrassani

“Soy un hombre muy honrado que me gusta lo mejor
Las mujeres no me faltan, ni el dinero, ni el amor
Jineteando en mi caballo por la sierra yo me voy
Las estrellas y la luna, ellas me dicen dónde voy”

Como segundo filme da Trilogia México/Mariachi, a primeira coisa que devo dizer é: nunca na história desse país, a tradução do título ficou melhor que o título original. OK, OK, nunca é forte, mas dessa vez A Balada do Pistoleiro ficou totalmente excelente.

Desperado

“Ele está de volta para acertar contas com quem quer que seja” – HAHAHAHA

O segundo filme começa com um zé qualquer – que é amigo do Mariachi e vivido por Steve Buscemi – contando uma história em um bar, sobre um mexicano imenso que entrou em outro bar, falou algo pro barman, este não gostou e de repente todos no bar queriam a cabeça do mexicano imenso. Com sua maleta de violão cheia de armas, o mexicano matou todo mundo no bar, mas antes arrancou informações de um moribundo sobre onde estaria Bucho. Voltando ao bar do zé qualquer, todos ficam alarmados ao saber da busca por Bucho.

Já na primeira cena com Banderas, Rodríguez mostra a cena final do primeiro filme, exatamente igual, mas só que com Banderas no lugar de Gallardo. Gostei disso, pois serviu não só pra dar noção de várias coisas(sem spoilers) pra quem foi direto ao segundo filme, mas também pra mostrar que o personagem é o mesmo pra quem já tinha visto o primeiro.

Em sua busca por Bucho(Joaquim de Almeida), El Mariachi(Antonio Banderas) vai matando todos os capangas do bandido, mas também sofre perdas e é ferido. E é numa dessas que ele encontra Carolina(Salma Hayek, que aliás, está em sua melhor forma. Física mesmo.), a dona de uma livraria que acaba o ajudando, e claro, se apaixonando por ele.

Nesse filme de Rodríguez, não fica a dúvida: é o melhor estilo Rodríguez-Tarantino-escrachado-tiroteio-muito-sangue. Há cenas sensacionalmente impossíveis, que são… sensacionais mesmo. Aliás, o mais engraçado é ver o próprio Tarantino fazendo uma ponta no filme e morrendo de forma brutal, como sempre. E tem ainda, claro e como sempre, Danny “Machete” Trejo, incrivelmente magro e não tão feio.

Aliás, esse filme ajudou não só o Banderas a alavancar sua carreira internacional, como lançou Salma Hayek para as audiências norte-americanas. E mais curiosidades: era pra ter sido o lendário Raul Júlia a viver Bucho no filme, mas ele morreu antes de poder gravar. E ainda: Carlos Gallardo, o ator que viveu o Mariachi no primeiro filme, aparece nesse segundo como outro Mariachi, amigo do Banderas.

Com sua ação frenética meio pastelão(e agora com dinheiro), muito sangue e plot twist bastante bom, A Balada Do Pistoleiro é um filme essencial pra quem gosta do gênero.

Informações Técnicas:

Título Original: Desperado

Título no Brasil: A Balada Do Pistoleiro

Direção: Robert Rodríguez

Gênero: Ação / Thriller

Duração: 106 minutos

Ano de Lançamento: 1995

Origem: EUA

Custo: $7.000.000

Grude: ★★★★½

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jan 24 2012

[Rebobinando] El Mariachi – A Trilogia México/Mariachi

por Bruno Pedrassani

É, o nome da trilogia é México, ou Mariachi.

O filme debutante de Robert Rodríguez como escritor/diretor é sobre um mariachi(vocês sabem o que é um mariachi, certo?) que chega em uma cidadezinha mexicana procurando emprego, mas devido às suas vestes pretas e sua maleta de violão, é confundido com Azul(que só usa preto), um bandido perigoso que fugiu da prisão e está atrás de outro bandido perigoso, Moco, este que controla vários pontos de comércio da cidade.

Élmariatxi

Como eu sabia que esse filme era o primeiro, e conhecia o segundo filme(Desperado), que é com Antonio Banderas, pensei que esse também era com ele, mas não é. É o primeiro filme sim, e o personagem é o mesmo, mas o ator aqui é Carlos Gallardo, que devo dizer, é muito ruinzinho.

De qualquer maneira, o filme desenrola por aí. Capangas atrás do Mariachi , que encontra uma mulher “linda”(tirem suas conclusões) a qual o ajuda, mas obviamente o bandido gosta dela também e o rebuliço está armado.

Confesso que até metade do filme, não consegui definir se esse era pra ser um filme “sério” ou um daqueles bem no estilo Rodríguez-Tarantino, meio escrachados. E isso até estava fazendo com que eu não gostasse muito, porque há claramente erros de continuidade, e algumas situações(como os primeiros capangas que o Mariachi mata) que são realmente, totalmente nada a ver.

Mas como eu sempre digo, contexto é tudo, e é com contexto que o filme fica realmente bom. Primeiro, era o primeiro filme do Rodríguez como diretor e escritor. Segundo, o filme teve um custo de $7000. Isso mesmo, sete mil dólares. Se você só pensar nos sete mil clintons(e o faturamento de dois milhões), o filme já se torna excelente. Adicione a isto a força de vontade do diretor que conseguiu essa grana, não com patrocinadores, mas sim, participando como voluntário em testes de drogas/remédios. E pra finalizar, pense que o ano era 1992 e um western-meio-moderno-com-narcotráfico ainda não existia, ou seja, a ideia era bastante original. Com tudo isso, bam, Columbia Pictures lança o filme nos EUA(inicialmente era pra sair somente em home video no México!).

El Mariachi trouxe um novo estilo à tona, e mesmo com orçamento completamente limitado, se tornou cult e lançou Rodríguez ao mundo. Não é sua obra-prima, mas vale assistir, principalmente se quiser acompanhar a trilogia inteira.

Informações Técnicas:

Título Original: El Mariachi

Título no Brasil: El Mariachi(carai, como não colocaram algo como: O Tocador de Violão, ou ainda, Confundido, ou Acerto de Contas no México?)

Direção: Robert Rodríguez

Gênero: Ação

Duração: 81 minutos

Ano de Lançamento: 1992

Origem: EUA / México

Custo: $7.000

Grude: ★★★½☆

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jan 18 2012

[Resenha] Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras

por André Soares

“O que está vendo?”

“Tudo, esta é a minha maldição.”

Sempre gostei de filmes e livros policiais. Existe sempre um grande mistério a ser solucionado, com pistas sendo destiladas aos poucos, sempre na medida certa. Se você for um bom telespectador, ou se você prestar bastante atenção, talvez consiga desvendar o crime antes do herói e não existe sensação melhor. Em Sherlock Holmes não existe um crime para ser desvendado, mas existe um jogo a ser jogado, um jogo de sombras.

Os fãs dos livros de Sherlock Holmes sabem que o maior vilão que ele já enfrentou foi o Prof. Moriarty. O professor é astuto, pensa grande, assim como o detetive, mas o professor pode mais, tem recursos para isso. Holmes (Robert Downey Jr.) começa esse segundo filme como em uma das cenas mais memoráveis do primeiro, numa perseguição a Irene Adler (Rachel McAdams), seu amor e ainda assim sua inimiga. Irene ainda trabalha para Moriarty (Jared Harris), mas ele tem conhecimento do que existe entre ela e o detetive e é ai que a primeira reviravolta do filme acontece.

O filme dá continuidade, mostrando agora um Holmes doentio e aparentemente depressivo, próximo de um surto psicológico. Acontece que esse novo e obcecado Holmes é a única chance que a Europa tem de evitar uma guerra. Holmes está sem escrúpulos e ainda mais egoísta, capaz de jogar a mulher de Watson de um trem em movimento para que seu plano dê certo, mas Holmes sabe o que faz, sempre soube, desde o começo.

É esse Holmes doentio que se mostra durante todo o filme, fazendo perceber em determinado momento que talvez tudo isso não se trate de salvar a civilização ocidental, mas sim de vingança. O novo Holmes é muito melhor que o antigo Holmes, suas peculiaridades afloram ao máximo e ele se torna então disposto a cometer sacrifícios para que tudo dê certo. Watson (Jude Law) se torna o personagem secundário que ele é, mas ainda assim imprescindível para que tudo dê certo, pois sem ele Holmes se despedaçaria.

Prof. James Moriarty

Sendo assim é fácil perceber que Robert Downey Jr. está fantástico. Que Jared Harris não fica atrás, e que Jude Law está perfeito no que ele deve ser. O destaque negativo fica para Noomi Rapace, a cigana Simza que no final das contas não adiciona muito para a trama do filme, sendo apenas uma espécie de fonte de locomoção para os dois.

Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras é muito melhor que o primeiro e ainda assim possui tudo aquilo que o primeiro teve. A comédia, as cenas de ação, as deduções espetaculares e as reviravoltas, mas tudo isso elevado a outro nível. A cena da perseguição na floresta é memorável. O jogo de gato e rato (ou talvez de pescador e peixe) tem um final surpreendente que ninguém da platéia espera, ficando ao final uma pergunta, seria aquele o fim?

Espero que não.

Informações Técnicas:

Título Original: Sherlock Holmes: A Game of Shadows

Título no Brasil: Sherlock Homes: O Jogo de Sombras

Direção: Guy Ritchie

Gênero: Ação/Aventura/Policial

Duração: 129 minutos

Ano de Lançamento: 2011

Origem: EUA

Custo: Não divulgado

Grude: ★★★★½

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PS: Este filme também tem aquilo que falei na resenha de Gigantes de Aço. Ao final comecei a prestar mais atenção nas coisas e analisá-las mais, algo que comecei a adquirir ao assistir The Mentalist.

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dez 26 2011

[Resenha] Missão Impossível 4 – Protocolo Fantasma

por Bruno Pedrassani

Ethan Hunt(Tom Cruise) está de volta, e a missão, como sempre, é impossível. Não só a missão, como muitas sequências de ação são impossíveis, mas afinal, se não tivesse cenas impossíveis, não seria Missão Impossível!

Missão Impossível: Protocolo Fantasma

O filme já começa em ação frenética, com o resgate de Ethan de uma prisão russa. E logo nas cenas iniciais, a tônica do filme já é revelada: além de muita ação, bastantes tiradas cômicas. E caso esteja se perguntando, sim, funciona muito bem.

Após ser resgatado da prisão, Hunt recebe a missão de pegar códigos russos de dentro do Kremlin, com um grupo da IMF formado por Benji Dunn(Simon Pegg) e Jane Carter(Paula Patton, que será a/uma vilã do Roger Rabbit 2).

Com sua missão e equipe formada, partem para os preparativos e planos, afinal, roubar o Kremlin não é uma tarefa das mais fáceis. E em meio a mais tiradas cômicas(Simon Pegg manda muito bem no apelo cômico da película), Hunt entra no Kremlin pra descobrir que era tudo uma armação. O Kremlin explode e ele acaba sendo o principal suspeito de tal ato.

E é aí que o Protocolo Fantasma entra em ação: com uma tensão nuclear entre Rússia e EUA, a IMF acaba por ser desativada, e o Protocolo Fantasma entra em ação. Hunt, sua equipe – com a adição de William Brandt(Jeremy Renner) – e seus apetrechos são tudo o que resta da IMF. Cabe a eles não só provarem que o bombardeio foi armação, mas evitar que terroristas lancem bombas contra os EUA e de quebra, evitar uma guerra nuclear.

Gostei bastante do filme. Além das tiradas cômicas que já citei, deu pra ver o cuidado com os elementos do filme. A trilha sonora está excelente, e há muitos elementos de séries dos anos 70/80, que são encaixados com maestria na película. Cruise manda bem na atuação e na correria, e novamente ele gravou as cenas suspensas no prédio mais alto do mundo sem ajuda de dublê. Aliás, Tom Cruise correu tanto, mas tanto nesse filme, que me lembrou demais o melhor ator de ação da atual geração, Jason Statham, no filme Adrenalina.

Missão Impossível: Protocolo Fantasma é um bom filme de ação e vai te entreter pelas suas duas horas de duração. E se Missão Impossível 3 teve um vilão sensacional interpretado pelo Phillip Seymour Hoffman, o vilão desse Missão fica em segundo plano, tanto que nem o citei até agora. Não é ruim, é somente outro foco, mais na situação do que em uma pessoa só.

E cuidado: o filme não foi gravado em 3D(nem convertido, ao que me consta), então se você vir sala 3D, FUJA! No cinema que fui aqui em Curitiba não havia escrito que tinha sala 3D, mas tinha escrito sala 2D, e outros sem nada, o que dava a entender o que quer que quisesse. Mas se 3D não teve, há aproximadamente meia hora de filme gravado com câmeras IMAX, então se tiver a oportunidade de ir no IMAX, aproveite!

Informações Técnicas:

Título Original: Mission Impossible: Ghost Protocol

Título no Brasil: Missão Impossível: Protocolo Fantasma

Direção: Brad Bird

Gênero: Ação

Duração: 133 minutos

Ano de Lançamento: 2011

Origem: EUA

Custo: $145 milhões

Grude: ★★★★☆

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