[Resenha] A Pele que Habito
Não sou expert em Almodóvar, mas da meia dúzia de seus filmes que assisti, sempre saí com uma boa impressão. O modo como ele amarra a trama, colocando os personagens em situações cômicas, às vezes surreais, pra contrastar com o clima pesado de alguma tragédia que acomete o/a protagonista, trazendo o desfecho surpreendente. Bons ingredientes que me levaram ao cinema essa semana pra conferir qual a faceta da vez vinda das mãos desse maluco. Falo de A Pele Que Habito.
O filme conta os eventos que aconteceram (ou acontecerão, já que boa parte deles se passa em 2012[!]) com o cirurgião plástico, Robert Ledgard. Há alguns anos, sua esposa teve o corpo completamente queimado após envolver-se em um acidente de carro. Robert ficou meio puto, pois como profissional da área pouco pode fazer para contornar o problema estético de sua senhora. Após o ocorrido, ela passava os dias num quarto, jogada à escuridão. Num belo dia, ao se deixar levar pela música vinda de seu jardim, ela resolve finalmente abrir a janela e dar um salve ao mundo. Eis que a primeira tragédia acontece. O fato abalou a todos. Principalmente Norma, filha do casal, que presenciou o ocorrido. Passa o tempo e Norma, que agora vive à base de medicamentos controlados e afastada da sociedade, tem a oportunidade de, também, dar seu salve ao mundo. Ao ser convidada pra festa de amigos de seu pai, acreditando (ou não) que todo rapaz é boa gente, Norma se deixa levar e… eis que a segunda tragédia acontece. Robert fica transtornado. Não sabe o que fazer. Ou melhor, sabe. E faz. E quando a terceira tragédia é, enfim, anunciada vem a gota da d’água. É quando Robert mostra “a que veio”, vamos assim dizer.
Passa o tempo e Robert hoje vive realizando experiências não muito ortodoxas na tentativa de criar um tecido, uma pele que seja mais resistente que a pele humana. Para isso, ele mantém enclausurada em sua casa/clínica, Vera, uma paciente com quem vive uma relação amor/ódio. Seria Robert um psicopata nato? Ou a situação em que ele foi colocado moldou suas atitudes, a ponto de transformá-lo num monstro, facilmente comparável por aí ao Dr. Jekyll/Mr. Hyde?
Bom filme. Pelo pouco que conheço de Almodóvar, nele encontramos os mesmos elementos que fizeram esse cara ser tão idolatrado e odiado. Ao passo que as situações parecem longe da realidade, consigo enxergar o contrário, de que nada do que é retratado ali é impossível e que é questão de tempo para ouvirmos notícias de casos semelhantes. Alguns podem achar a história bizarra, que é coisa de maluco. Mas é com malucos como ele que o cinema foge da mesmice de sempre, com suas fórmulas copiadas. Que venham os “Almodóvar’s”!
Informações:
Título no Brasil: A Pele Que Habito (La piel que habito)
País de Origem: Espanha
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 117 minutos
Ano de Lançamento: 2011
Direção: Pedro Almodóvar
Grude: 









novembro 19th, 2011 em 01:13
Cabeça voltando em grande estilo.
Muito boa a resenha e fiquei curioso pra saber das tragédias aí comentadas… hehe
novembro 19th, 2011 em 01:48
Mermao, eh invocado demais o esquema. Veja!
dezembro 28th, 2011 em 01:07
Ao ver esse filme me recordei das Pornochanchadas que passa no Canal Brasil só que bem mais produzido!
Realmente ele é um filme que faz muitas pessoas (em geral mulheres) abandonarem o recinto antes da metade do filme, que é até um pouquinho comprido!
Vale a pena assistir, como falou o Cabeça: "Mas é com malucos como ele que o cinema foge da mesmice de sempre"!