[Resenha] Biutiful | Chiclete na Poltrona

[Resenha] Biutiful

por Bruno Pedrassani

Não vou negar, desde Amores Brutos gosto muito de Alejandro González Iñárritu, e Javier Bardem já provou que sabe atuar em praticamente qualquer tipo de personagem, seja um assassino maluco como em Onde Os Fracos Não Tem Vez(que lhe rendeu um Oscar), ou o tetraplégico de Mar Adentro.

Apesar da dupla supracitada ter sido suficiente pra me fazer assistir o filme sem mesmo saber do que se tratava, fiquei preocupado porque esse filme é o primeiro de Iñárritu depois de romper com o roteirista Guilhermo Arriaga, o qual foi responsável por Amores Brutos, Babel e 21 Gramas.

Biutiful

Uxbal(Bardem) vive no submundo de Barcelona, sobrevivendo e tentando educar seu casal de filhos. Só aqui já temos o drama familiar de 90% do mundo, e são as escolhas dentro desse contexto que mudam a vida de cada um. É aqui que entra Iñárritu e seu estilo catástrofe-o-mundo-vai-te-comer-vivo.

Pra ajudar mais um pouco, Uxbal tem uma ex-mulher bipolar que não se medica e que representa um risco à educação das crianças.

Eu gostaria de ser fiel a você, mas eu tenho vontade de me divertir como uma puta também…

Mostrando que cada um faz o que pode pra sobreviver, o “trabalho” de Uxbal envolve imigrantes ilegais de Senegal e da China.

Pra finalizar, nosso protagonista descobre que tem câncer terminal e viverá somente mais alguns meses. É a partir daqui que Uxbal decide não deixar pendências antes de morrer, e parte pra uma jornada de redescoberta moral, espiritual(ah, não comentei? ele é uma espécie de médium), amorosa e familiar. Sim, esse filme lembra demais Minha Vida Sem Mim.

Toda essa mistura pode parecer meio forte, e até bonita, pelo fato da jornada pessoal de alguém que tem poucos meses de vida, mas não se engane, é Iñárritu quem comanda isso aqui, e o belo cede lugar à crueldade do mundo. Não aquela crueldade visceral e irreal, mas a crueldade de viver e aprender com isso(OK, um tanto quanto moralista demais de vez em quando).

Como é uma película que foca em pessoas e seus relacionamentos, o filme é um pouco devagar, mas isso é esperado. Javier Bardem segura muito bem o filme com uma atuação fora de série(indicado ao Oscar por este filme e vencedor em Cannes), e chega a ser tragicômico ver a situação da ex-mulher(numa excelente atuação de Maricel Álvarez), mas o filme não deixa muito espaço pra risadas não.

Por mais que você aprecie boas obras, não assista a esse filme em qualquer momento, esteja preparado antes. Ele é pesado. A trilha sonora ajuda a te manter preso às situações, mas estas não são boas e pioram com o decorrer da película. Confesso que em um dos momentos finais meus olhos marejaram, e após o final do filme não fiquei me sentindo muito bem.

Mas não se engane: o filme é bom e as atuações são excelentes, com uma história boa. Só que não assista em um momento qualquer.

Informações Técnicas:

Título Original: Biutiful

Título no Brasil: Biutiful

Direção: Alejandro González Iñárritu

Gênero: Drama

Duração: 148 minutos

Ano de Lançamento: 2010

Origem: Espanha / México

Grude: ★★★★☆

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