[Resenha] Deixa Ela Entrar – Let The Right One In | Chiclete na Poltrona

[Resenha] Deixa Ela Entrar – Let The Right One In

por Bruno Pedrassani

Vou confessar, falar desse filme já é difícil per se. Se torna ainda mais difícil porque o inexorável Inagaki já escreveu sobre o mesmo.{{ aqui }}

Baseado na obra sueca homônima de John Ajvide Lindqvist, Deixa Ela Entrar (usarei aqui as definições do Inagaki) é um filme sutil e delicado, e digo aqui que é um dos melhores filmes que vi nos últimos anos.

Passado em Estocolmo do início dos anos 80, o filme é sobre amor e descobertas. Numa primeira olhada pode parecer adolescente devido aos protagonistas, mas depois que as idéias se assentam, é muito mais que isso.

Oskar é um menino de 12 anos que sofre o famigerado, e atualmente na moda, bullying. Ele nunca revida, mas seus pensamentos de vingança ficam claros desde as primeiras cenas do filme. Apanha, é chamado de porco, sofre sozinho. E mais, parece não ter amigos, como os casos mais clássicos.

Só que tudo isso muda com a chegada de uma garota e seu “pai” à sua vizinhança. Coloquei as aspas no pai ali, porque ele está mais para um guardião ou algo do gênero, e você acaba vendo que ele faz muito mais pela garota do que aparenta. Ele mata, e é por ela. Ela é uma vampira.

Muita gente pode sair correndo ao saber disso(e não, não é spoiler), mas peço que deixem os preconceitos de lado. A sutileza com que o autor e o diretor passam isso é desconcertante.

O surgimento da amizade entre Oskar e Eli(a menina) é algo magistralmente trabalhado no filme: logo de cara Eli diz que eles nunca poderão ser amigos. E é justamente por isso que a amizade se desenrola, exatamente como os grandes amores.

O antagonismo das situações de cada um: se por um lado Oskar, filho de pais separados, sofre com a sua situação e pensa em sua vingança mortal contra seus abusadores, Eli sofre com sua situação de ter que matar pra viver.

E o que me deixou mais pensativo foi o destino do guardião-pai da menina. Não se sabe há quanto tempo eles estavam juntos, muito menos quanto tempo faz que ela tem 12 anos. Mas ao ver a cena final, o questionamento fica: será que o ciclo está se repetindo?

Foi difícil fazer esse questionamento do parágrafo anterior sem dar spoiler, mas acho que consegui. A profundidade do filme é realmente desconcertante, e aguardo ansioso pelo remake americano(que na verdade saiu dia 1 de outubro desse ano, nos EUA, com o nome de Let Me In).

Outra coisa que me fez pensar foi o título do filme: enquanto na tradução para o português fica claro o ela, em inglês não. Let The Right One In seria mais algo como “Deixe a pessoa certa entrar”, sendo que não se sabe o sexo de “pessoa”. Com isso, pode-se pensar que a pessoa a entrar é Eli na vida de Oskar, ou seria Oskar na de Eli? Ou ambos? Não sei se em sueco o título tem o mesmo teor que em inglês, mas este ficou realmente muito bem colocado para a obra. Inclusive no remake esse teor foi mantido: Let Me In é algo como Deixa-me Entrar, o que mantém a ambiguidade que acabei de citar.

Último comentário: ambos os atores mirins, Kåre Hedebrant(Oskar) e Lina Leandersson(Eli) são excelentes, mas Lina me deixou exaltado. Espero que os atores da versão americana estejam a altura(e acho que pelo menos a atriz estará, pois quem será a vampira é a Hit-Girl, Chloë Moretz).

Informações Técnicas:

Título Original: Låt den rätte komma in / Let the right one in

Título no Brasil: Deixa Ela Entrar

Direção: Thomas Alfredson

Gênero: difícil definir: se por um lado vocês verão na seção de Terror das locadoras, não se trata de um terror. É quase um Drama.

Duração: 115 minutos

Ano de Lançamento: 2008

Origem: Suécia

Grude: ★★★★½

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3 Comentadores para “[Resenha] Deixa Ela Entrar – Let The Right One In”

  • Ricardo Lopes Disse :

    Parece ser bom o filme. Vou procurar assistir…

  • Let Me In – Deixa Ela Entrar | Chiclete na Poltrona Disse Usando WordPress WordPress 3.1 :

    [...] falei da versão original – sueca – de Deixa Ela Entrar aqui. O filme foi uma surpresa muito boa pra mim, gostei demais, e estava aguardando anciosamente pela [...]

  • Thiago Disse :

    Vlw garotão, adorei as resenhas (das duas versões do filme). Muito bem atentas aos detalhes técnicos dos filmes, como trilha sonóra,e roteiro. Gostei muito das curiosidades que somente na versão suéca são apresentadas, como o fato de Eli não ser "ela" como a personagem msm afirma (graças a vc eu sei disso hahaha). Na versão americana, já que foi a unica que vi, deu a entender que ela diz isso apenas por se tratar de um outro ser que não é humano.
    Pretendo encontrar a versão suéca LEGENDADA, pois adorei o filme e pretendo comprar um poster… Arte de Capa outra paixão que eu tenho,rs.
    Enfim, quero lhe parabenizar pela atenção a obra, continue assim.

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